Lula evita debate sobre luxos de Lulinha e de Marcola enquanto PF aponta tráfico de influência
A edição da revista Veja que circula nas bancas apresenta um conjunto de mensagens de celular apreendidas pela Polícia Federal, demonstrando articulações entre a lobista Roberta Luchsinger, o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), e empresários que buscavam atalhos para obter contratos milionários no governo sem licitação.
Segundo a investigação, a lobista recebia dinheiro desses empresários e utilizava parte desses recursos para pagar despesas pessoais de José Marcola, chefe de gabinete de Lula, bem como para custear viagens de luxo ao filho do presidente.
O favorecimento financeiro a Marcola e a Lulinha ocorreu simultaneamente ao período em que Roberta mantinha reuniões dentro do governo para negociar negócios; ela divulgava nas redes sociais e em conversas com clientes a proximidade com ministros petistas e com o próprio presidente Lula.
A Polícia Federal afirma que Roberta Luchsinger não teria acesso ao governo Lula sem usar o nome de Fábio Luís Lula da Silva para abrir portas nos gabinetes e receber ministros na casa que ela alugou em Brasília, oferecendo assim suposto acesso a ministérios e ao Palácio do Planalto.
Essas práticas foram classificadas pela PF como tráfico de influência. A mesma lobista que recebia dinheiro para favorecer empresários também bancou vantagens luxuosas a Lulinha enquanto discutia com ele detalhes de reuniões com burocratas que poderiam atender às demandas dos clientes.
Na terça‑feira passada, o presidente Lula encerrou uma entrevista ao ser questionado sobre os negócios do filho e sobre as supostas despesas luxuosas do seu chefe de gabinete, demonstrando a estratégia de evitar o tema.
Documentos da PF apontam que Marcola mantinha faturas de cartão de crédito, joias, despesas pessoais e até o financiamento de um carro, todas pagas por Roberta Luchsinger. Quando a casa alugada por ela foi tomada, Marcola devolveu o dinheiro alegando que se tratava de empréstimo.
A estratégia de campanha de Lula neste ciclo eleitoral segue a de mandatos anteriores: fugir dos debates que poderiam constrangê‑lo a falar sobre o filho ou sobre o assessor mais próximo no governo.
Lulinha tornou‑se figura nacional pelos negócios que lhe renderam milhões na Oi e na extinta Gamecorp durante os primeiros governos de seu pai; a Polícia Federal estima que mais de R$ 100 milhões foram depositados em sua conta nesse período.
Durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, a Polícia Federal expôs as irregularidades de Rosemary Noronha, então chefe de gabinete de Lula em São Paulo, que utilizava o cargo para obter vantagens e ajudar corruptos a traficar interesses na gestão petista. Após a queda de Rosemary, Lula se declarou “apunhalado pelas costas”.
O mesmo padrão se repete agora com Marcola e Roberta. O governo tem divulgado que Lula não tinha conhecimento dos fatos e que o filho, descrito como ingênuo e de bom coração, foi usado por amizades que buscavam dinheiro fácil.
A defesa de Lulinha nega categoricamente qualquer crime. Comentários apontam que, se fosse filho de Bolsonaro recebendo despesas pagas por uma lobista que negociava contratos no governo do pai, a narrativa seria certamente outra.
Enquanto Lula permanece em silêncio, a defesa pressiona figuras influentes em Brasília para que as investigações em curso no STF sejam anuladas. Analistas afirmam que, embora nulidades não existam, há uma operação nas redes de poder da capital federal para criar nulidades processuais.
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Com informacoes de VEJA.

