Amigo de Lulinha impulsiona empresa e fatura R$ 63 mi em contratos governamentais
Uma apuração da Veja trouxe à tona um inquérito sigiloso que investiga o filho do presidente, Lulinha, por suposto tráfico de influência e corrupção, apontando atuação com lobistas em busca de contratos bilionários, inclusive a venda de medicamentos ao Ministério da Saúde, e mencionando que uma mansão em Brasília funcionava como quartel‑general com a presença de ministros e autoridades.
Marcelo Checon, proprietário da MChecon Design e Cenografia, empresa de eventos reconhecida por projetos no Rock in Rio, no Lollapalooza e nos carnavais do Rio de Janeiro e de Salvador, ampliou sua atuação para Brasília a partir de 2023.
Antes da posse de Luiz Inácio Lula, a MChecon detinha apenas um contrato federal no valor de R$ 197 mil. Nos últimos três anos, a companhia conquistou 13 novos contratos, totalizando R$ 63 milhões, o que representa um aumento de faturamento de 323 vezes.
Os serviços da empresa são prestados ao Palácio do Planalto e a ministérios como Fazenda, Educação, Cultura, Trabalho, Assistência Social, Turismo e Desenvolvimento Agrário.
Checon e Lulinha se conheceram em 2023 por intermédio de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente em uma empresa de games que esteve sob investigação por suspeita de tráfico de influência durante o primeiro mandato de Lula. A afinidade entre eles foi imediata, e passaram a se encontrar com frequência na rota São Paulo‑Brasília.
Em 2024, os dois viajaram juntos a Portugal, onde celebraram, em um camarote do Rock in Rio Lisboa, o aniversário de Renata Moreira, esposa de Lulinha. Checon também realizou diversas visitas ao amigo em Madri, cidade onde Lulinha reside com a família. No ano anterior, fizeram uma expedição ao Japão e à China, incluindo um almoço no topo da Grande Muralha, coincidindo exatamente com a visita oficial do presidente Lula aos mesmos países.
Executivos do setor de eventos em Brasília afirmam, sob anonimato, que “todo mundo sabe que Lulinha abriu as portas do governo para a MChecon”, indicando que a relação pessoal teria impulsionado o crescimento acelerado da empresa.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal, inseridas nas investigações sobre Lulinha, citam Checon em conversa entre Roberta e Cleber Ribas datada de 25 de agosto do ano passado. Na troca, Roberta pergunta sobre um pagamento ainda não recebido: “Tem que pagar essas bosta dessas passagens pro Fabio”. Ribas responde que o valor cairia na conta dela no dia 28, ao que Roberta relata que Lulinha teria dito que cortaria o pagamento das passagens porque a casa gastava cerca de R$ 100 mil por mês, e que Checon e Cleber ficariam responsáveis pelos custos, ao que ela respondeu “ué, boa sorte pra você”.
A inserção da MChecon no governo petista ocorreu oito meses após a posse, quando a empresa venceu licitação promovida pela Secretaria de Comunicação (Secom).
No final de 2023, o Ministério da Cultura realizou um pregão para contratar serviços de eventos; a MChecon foi declarada vencedora, mas a decisão foi contestada pela empresa derrotada, que recorreu ao Tribunal de Contas da União alegando irregularidades no certame, falta de expertise exigida no edital e prejuízo estimado em mais de R$ 6 milhões aos cofres públicos. O TCU reconheceu parcialmente os argumentos, mas manteve a adjudicação.
Com informacoes de VEJA.

