Caso Lulinha é usado como munição contra a indicação de Jorge Messias ao STF

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 26/08/2026 09:20
Caso Lulinha é usado como munição contra a indicação de Jorge Messias ao STF

Foto: via Estadão

Na coluna exclusiva do Estadão, assinada por Roseann Kennedy e com a participação de Eduardo Barretto e Letícia Fernandes, o caso envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva – conhecido como Lulinha – foi trazido à tona como elemento de pressão contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

Nas últimas semanas, o ministro Jorge Messias tornou‑se alvo de “fogo amigo” em grupos de WhatsApp de servidores da Advocacia‑Geral da União (AGU), da Polícia Federal (PF) e da magistratura, que circulam um vídeo criticando o advogado‑geral por não ter contestado decisões do ministro do STF André Mendonça, relator do inquérito do INSS.

A investigação do inquérito tem entre os alvos Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suas relações com a lobista Roberta Luchsinger e com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O caso foi desmembrado em mais três inquéritos para apurar as tratativas do grupo sobre a venda de cannabis medicinal ao governo.

No mês passado, o diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitou que a AGU avaliasse a adoção de medidas para contestar determinações do relator no STF, especificamente a exigência de que a corporação enviasse ao Tribunal todas as peças das investigações da Operação Sem Desconto e a obrigação de comunicar previamente ao ministro qualquer afastamento ou substituição dos delegados responsáveis pelo caso.

Jorge Messias não aceitou o pedido, que foi considerado absolutamente heterodoxo e sem precedentes, pois representaria a primeira vez que a AGU interviria em uma questão de âmbito criminal.

O episódio desencadeou um atrito entre André Mendonça e Andrei Rodrigues, que permanece sem solução e agora é explorado para “fritura” do advogado‑geral da União.

A data do pedido da PF coincidiu com o período em que ocorreram reuniões do presidente Lula com os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino – todos conhecidos por se oporem à indicação de Messias ao STF.

Aliados de Messias que falaram com a coluna ressaltam que seria impossível aceitar a solicitação de Andrei, pois isso poderia acarretar acusações de tentativa de obstrução de justiça, opinião compartilhada por juristas e criminalistas.

Na época, ainda não haviam sido reveladas as relações da lobista Roberta Luchsinger com o ex‑chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, apelidado de “Marcola”. Hoje, diante das revelações, a acusação de obstrução poderia alcançar o presidente da República, já que a AGU, como advogada do presidente, teria agido para interferir em um inquérito que tem o filho de Lula entre os alvos.

“Era uma armadilha”, resumiu um amigo próximo de Messias que atua no Planalto, acrescentando que não perceberam que a solicitação iria explodir no colo de Lula.

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Com informacoes de Estadão.

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