Lançamento do foguete SLS da NASA abriu buracos na ionosfera e afetou a precisão do GPS, aponta estudo de Taiwan
Quem acompanhou o lançamento da missão Artemis II, em abril, testemunhou um momento histórico, e os efeitos dessa jornada chegaram até a atmosfera terrestre. É o que revelou um estudo da Universidade Nacional Cheng Kung, em Taiwan, que mapeou como a passagem do foguete Space Launch System (SLS) durante a missão alterou a densidade de elétrons livres na alta atmosfera.
Segundo a pesquisa, o SLS causou distúrbios atmosféricos significativos o suficiente para gerar problemas temporários no sistema de navegação por GPS. Durante o lançamento, as estações de GPS instaladas em solo identificaram mudanças na densidade dos elétrons na ionosfera, equivalentes a erros de posicionamento de alguns metros.
À primeira vista, o impacto pode parecer pequeno, mas os autores alertam para possíveis consequências práticas. "Um erro de posicionamento de alguns metros é suficiente para fazer com que um carro autônomo troque de faixa", explicou Charles Lin, coautor do estudo. Ele observou ainda que o problema poderia afetar não só os carros autônomos, mas também o posicionamento de drones.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores trabalharam com redes de receptores de GPS instalados em solo, equipamentos normalmente usados para monitorar placas tectônicas. A análise mostrou que a perturbação na camada ionizada chegou a ser dez vezes mais intensa do que a provocada pelos voos do foguete Starship, da SpaceX.
O estudo também identificou que a passagem supersônica do SLS gerou ondas de choque que abriram dois gigantescos "buracos" ionosféricos, cada um com extensão de 5.000 quilômetros sobre o continente americano. O primeiro foi causado pelo estágio central do foguete, e o segundo pelos acionamentos do motor do estágio superior.
"Os lançamentos de foguetes da Terra para o espaço produzem esse tipo de efeito, mas nunca vimos esse tipo de manobra orbital em uma missão interplanetária", acrescentou Lin. "No futuro, conforme vermos muito mais missões indo para a Lua e para Marte, esses efeitos do clima espacial se tornarão muito mais significativos."
Os resultados foram publicados na revista Geophysical Research Letters.
Com informacoes de Canaltech.

