IAs chinesas se aproximam dos líderes ocidentais, mas ainda não apresentam os mesmos riscos de segurança

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 22/09/2026 07:53
IAs chinesas se aproximam dos líderes ocidentais, mas ainda não apresentam os mesmos riscos de segurança

Foto: via Canaltech

“Quem vencer com a IA, vence”. Foi a frase usada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para resumir a importância estratégica da corrida pela inteligência artificial, ao rejeitar pedidos de desaceleração e ao colocar a China no centro do debate, defendendo que os EUA mantenham a liderança no setor.

Laboratórios chineses reduziram rapidamente a distância para empresas como OpenAI, Anthropic e Google DeepMind. Modelos desenvolvidos por Alibaba, DeepSeek e Z.ai já aparecem próximos dos líderes em diferentes benchmarks, enquanto Pequim investe em modelos abertos, agentes autônomos, robótica e chips próprios.

Segundo análise da Reuters publicada em setembro, a diferença entre os dois países diminuiu principalmente nos últimos dois anos, com sistemas chineses ficando apenas ligeiramente atrás dos principais modelos americanos em algumas capacidades. Os benchmarks – testes padronizados de raciocínio, matemática, programação e outras tarefas – mostram essa aproximação, mas exigem interpretação individual, já que uma IA que lidera em programação pode ter desempenho inferior em outro tipo de problema.

A Alibaba, dona do AliExpress, lançou em fevereiro o Qwen 3.5, voltado principalmente para agentes de IA capazes de executar tarefas em aplicativos e dispositivos. Em testes selecionados divulgados pela própria empresa, o modelo superou versões de GPT, Claude e Gemini, embora resultados fornecidos pelos próprios desenvolvedores não sejam suficientes para estabelecer uma superioridade geral.

Já a DeepSeek, fundada em 2023, lançou em setembro o V4.1‑Flash, versão focada em respostas mais rápidas e maior capacidade de processamento. A startup também ampliou investimentos em infraestrutura, chips e profissionais especializados.

A Z.ai, antiga Zhipu AI, responsável pela família GLM, tem suas diferentes versões avaliadas de forma independente pela Artificial Analysis. Nesses testes, GLM, Qwen e DeepSeek aparecem entre os modelos chineses que disputam as primeiras posições em inteligência e raciocínio, embora os líderes variem conforme a metodologia utilizada.

Um diferencial chinês está nos modelos que podem ser baixados e adaptados por desenvolvedores. Um relatório da Mozilla publicado em setembro estimou que os melhores modelos chineses dessa categoria estavam cerca de quatro meses atrás dos sistemas fechados de fronteira dos EUA em determinadas métricas.

A estratégia chinesa não se limita a criar concorrentes do ChatGPT. O presidente da China, Xi Jinping, passou a defender publicamente modelos de IA abertos e maior cooperação internacional na tecnologia. No encontro do BRICS realizado em setembro, Xi propôs uma zona de código aberto para inteligência artificial entre os integrantes do bloco.

Internamente, há foco em agentes autônomos – sistemas capazes de planejar tarefas, tomar decisões e operar outras ferramentas com supervisão humana limitada. A Huawei estima que essa tecnologia terá participação crescente no processamento de IA e o país já trabalha em normas específicas para a segurança desses sistemas.

Na área de robótica, a startup Spirit AI já possui dezenas de humanoides em linhas de produção de empresas como CATL e JD.com, trabalhando para melhorar a capacidade dos equipamentos de interpretar comandos e executar atividades no mundo físico.

Para mitigar a limitação de acesso aos chips mais avançados da Nvidia, restringido pelos Estados Unidos, a Huawei desenvolve a linha Ascend e sistemas capazes de combinar grandes quantidades de processadores, compensando as restrições individuais dos chips chineses.

Em termos de riscos, modelos chineses podem apresentar perigos semelhantes aos americanos à medida que ganham capacidades comparáveis, principalmente em áreas como agentes autônomos, programação e cibersegurança. Contudo, ainda não estão no mesmo estágio de desenvolvimento de ChatGPT, Claude e seus concorrentes. Eric Xu, presidente rotativo da Huawei, afirmou neste mês que os desenvolvedores chineses talvez ainda não tenham modelos avançados o suficiente para observar os mesmos riscos de segurança relatados pelas principais empresas americanas. A visão é semelhante à de Pedro Burgos, especialista e consultor em inteligência artificial citado pelo Canaltech, que considera que a China ainda está atrás na fronteira tecnológica.

Com informacoes de Canaltech.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.