Hapvida (HAPV3) chega ao fundo do poço, mas ativo fiscal de R$ 30,8 bi pode virar alavanca, alerta UBS
O UBS BB retomou a cobertura da Hapvida (HAPV3) com recomendação neutra e preço‑alvo de R$ 7,80 por ação, indicando que a maior parte dos obstáculos já parece estar precificada, mas ainda faltam sinais claros de recuperação operacional. A análise reforça o que já apontamos em 26/09, quando destacamos a dificuldade da operadora de saúde em reverter seu desempenho.
Um ponto central do relatório é o ativo fiscal de R$ 30,8 bilhões, originado pelo ágio tributário registrado na fusão com a NotreDame Intermédica em 2022. O ágio fiscal corresponde à diferença positiva entre o preço pago na aquisição e o valor contábil da empresa adquirida, refletindo a expectativa de lucros futuros que, se realizados, poderiam ser utilizados para reduzir o IRPJ e a CSLL.
Segundo o UBS, o benefício só será efetivado se a Hapvida conseguir gerar lucro tributável suficiente para absorvê‑lo, além de concluir uma reorganização societária ainda pendente. Sem esses elementos, o goodwill permanece como um potencial, mas não como valor realizável para os acionistas.
Nos últimos trimestres a ação tem reagido negativamente aos resultados divulgados, que ficaram aquém das projeções. No segundo trimestre, a intensificação de processos judiciais foi apontada como um dos principais entraves, com o CEO reconhecendo falhas na contenção desses custos. No ano anterior, a alta de sinistralidade, o aumento das despesas e o peso das provisões, agravados por um surto de influenza, também pressionaram os números.
Para acompanhar a performance, o UBS analisou as notas explicativas auditadas sob IFRS 17, concentrando‑se no Medical Loss Ratio (MLR). Os dados mais recentes indicam que a deterioração operacional persiste, porém em ritmo mais lento: uma queda de cerca de 50 pontos‑base no MLR do terceiro trimestre de 2026 e 30 pontos‑base no quarto trimestre, projetando um Cash MLR de 74,7 % para o ano. A instituição estima que o Cash MLR alcance aproximadamente 76 % no longo prazo, subindo para 77 % ao incluir provisões, ainda abaixo dos níveis observados em concorrentes como SulAmérica e Bradesco Saúde.
No cenário base, o UBS projeta crescimento de receita próximo a 4 % ao ano entre 2026 e 2028, impulsionado principalmente pelo aumento do ticket médio dos planos, sem contar com expansão significativa da base de beneficiários. As estimativas deliberadamente excluem qualquer aproveitamento do ativo fiscal de goodwill, dada a incerteza sobre a capacidade da empresa de materializar esse valor.
- UBS vê dificuldades já precificadas para Hapvida (HAPV3), mas recuperação operacional ainda incerta
- Quatro ações em queda que podem esconder virada: Hapvida, CSN, Smart Fit e Direcional
- Hapvida (HAPV3) registra queda histórica e BB Investimentos revisa preço‑alvo para R$12, mas mantém recomendação neutra
Com informacoes de Seu Dinheiro.

