Recessão técnica no Brasil ainda não é cenário base, mas risco persiste segundo economistas

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 27/09/2026 15:00
Recessão técnica no Brasil ainda não é cenário base, mas risco persiste segundo economistas

Foto: via Money Times

Após a divulgação de um Produto Interno Bruto (PIB) mais fraco no segundo trimestre, o mercado já sinaliza estabilidade ou até mesmo queda da atividade econômica no terceiro trimestre, mas projeta expansão para o quarto trimestre de 2024 e para o primeiro trimestre de 2025.

Consultados pelo Money Times, economistas reconhecem que há uma chance não desprezável de ocorrência de recessão técnica – definida como retração em dois trimestres consecutivos – embora esse não seja o cenário base adotado pelas casas de análise.

Rodolfo Margato, economista-chefe da XP Investimentos, afirma que a possibilidade de recessão não é descartada pelo time de macroeconomia da corretora. A XP estima crescimento do PIB de 1,7% em 2024 e 1,0% em 2025, ambos abaixo do consenso de mercado. “Nossa estimativa para o terceiro trimestre deste ano é de estabilidade (0,0%) em relação ao segundo trimestre, com até algum pequeno viés de baixa. Ou seja, o PIB entraria em território negativo com uma queda modesta no terceiro trimestre”, explica Margato.

O economista ressalta ainda a grande incerteza que paira sobre o quarto trimestre, citando o cenário global – continuação do conflito no Oriente Médio e choque energético global – que pressiona os juros das economias avançadas. “E claro, por aqui, temos incerteza eleitoral, especialmente no que tange a sinalização de política fiscal para o próximo governo, qualquer que seja o vencedor da corrida presidencial. Então, ainda temos uma série de incertezas no radar”, observa.

Para o quarto trimestre de 2024, a XP projeta expansão de 0,1% no PIB, número que fica muito próximo da “marca d’água” do território negativo. “São números muito próximos à ‘marca d’água’ do território negativo, então, ainda que não projetemos uma recessão técnica, existe um risco de isso ser observado no curto prazo, especialmente no segundo semestre de 2024”, alerta Margato.

Christian Meduna, economista do Banco BV, tem cenário base de variação zero para o trimestre atual, ao considerar dados de alta frequência que apontam para desaceleração adicional da economia. No quarto trimestre, o BV espera leve recuperação, com expansão de 0,2% do PIB. “Existe a possibilidade de recessão técnica, mas não é o nosso cenário base. Com o número do terceiro trimestre em zero, algum desvio pode acabar aumentando a propensão a essa recessão técnica. Os números apontam para um resultado fraco no terceiro trimestre, mas para uma leve retomada no quarto trimestre”, explica Meduna.

Quanto a 2025, Meduna destaca que o primeiro trimestre tem apresentado força nos últimos anos. “Não esperamos uma alta da mesma magnitude dos anos anteriores, mas uma oscilação mais positiva, com algum nível de retomada da economia, dado o cenário de estabilização no segundo semestre de 2024”, detalha.

A XP projeta crescimento moderado de 1% para o PIB em 2025, mas prevê aceleração da atividade a partir do terceiro trimestre. A corretora ainda indica que, a partir de meados de 2025, a flexibilização monetária – embora gradual – deve levar a Selic terminal de 13,25% no fim de 2024 e 11,5% no fim de 2025, contribuindo para a reaceleração da economia.

Margato aponta ainda riscos baixistas para o primeiro semestre de 2025, especialmente para a agropecuária, que tem peso maior no PIB na primeira metade do ano, sobretudo em grãos. Ele acrescenta que juros ainda restritivos, endividamento das famílias em alta e descompressão da atividade somente na segunda metade de 2025 são outros fatores que podem frear o crescimento. “Temos também que considerar a base de comparação estatística; em alguns trimestres você tem um crescimento muito forte, isso deixa o sarrafo lá em cima, podendo levar a alguma queda sequencial no trimestre seguinte, ainda que no acumulado do ano a dinâmica seja positiva, então tiramos um pouco do peso da recessão técnica”, esclarece.

Na coletiva do Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central na última semana, o diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti, alertou que a desaceleração esperada para o agro deve ser forte, considerando clima adverso, endividamento dos produtores rurais e aumento dos preços dos insumos. Não é a primeira vez que o impacto de juros altos sobre setores estratégicos é destacado em nossas análises, como já abordamos na cobertura sobre os riscos de juros elevados para a economia brasileira até 2027.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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