Ações do McDonald’s despencam quase 31% e consumidores reclamam da alta do Big Mac

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/09/2026 04:40
Ações do McDonald’s despencam quase 31% e consumidores reclamam da alta do Big Mac

Foto: via InfoMoney

O McDonald’s (ticker MCDC34) enfrenta um cenário difícil ao tentar reverter a queda acentuada de suas ações, que acumulam desvalorização de quase 31% desde o pico registrado em fevereiro, apontando para o pior desempenho anual desde 2002.

Em apresentação feita no início da semana para investidores, a rede projetou vendas ligeiramente negativas nos Estados Unidos para o trimestre corrente, enquanto o crescimento de receitas no último trimestre foi de apenas 0,8%, o ritmo mais lento em mais de um ano.

O recuo das vendas vem acompanhado de reclamações recorrentes de clientes, que apontam desde o aumento dos preços do cardápio até a deterioração da experiência nas lojas, incluindo o fechamento permanente de muitos parquinhos infantis que foram encerrados durante a pandemia.

Ofertas recentes que buscavam melhorar a relação custo‑benefício tiveram resultados mistos, e um plano plurianual de US$ 8,5 bilhões, anunciado nesta semana para aprimorar o serviço e a qualidade dos alimentos, gerou temores de que os custos adicionais possam corroer ainda mais os lucros, alimentando nova onda de vendas das ações.

Jacob Aiken‑Phillips, analista da Melius Research, é o único entre os monitorados pela Bloomberg a recomendar “venda” para a ação, argumentando que “os preços subiram consideravelmente e a marca já não é vista como a melhor relação custo‑benefício na alimentação”, comparando a experiência do McDonald’s ao Texas Roadhouse, que ofereceria um jantar familiar a preço semelhante.

Um porta‑voz da empresa reforçou, na sexta‑feira, o compromisso de agir com urgência para colocar o negócio americano em posição mais forte até o final de 2026.

Segundo o Índice Big Mac, da revista The Economist, o preço do sanduíche nos EUA aumentou cerca de 23% entre 2019 e o final de 2025, refletindo a estratégia da rede de elevar preços após a pandemia para compensar a alta nos custos de ingredientes como a carne bovina, o aumento dos salários e o combustível mais caro.

Enquanto os consumidores sentem o aperto da inflação e dos juros elevados, a concorrência no setor se intensifica, com redes lançando promoções temporárias e descontos agressivos.

O Burger King, pertencente ao Restaurant Brands International, registrou crescimento de 8,5% nas vendas comparáveis nos EUA no último trimestre, impulsionado por um Whopper reformulado e uma campanha de Star Wars; já o Taco Bell, da Yum! Brands, reportou aumento de 7% nas mesmas lojas, graças a caixas de refeição de US$ 5, US$ 7 e US$ 9.

As ações do Burger King acumularam alta de 5% no ano, enquanto as do Taco Bell caíram 8,4%, ambas abaixo do ganho de 13% do S&P 500; em contraste, as ações do McDonald’s recuaram 23% no mesmo período.

Investidores apontam o desalinhamento com os franqueados como outro fator das vendas fracas; os parceiros de franquia têm resistido a descontos, como o cardápio deste ano com 10 itens por menos de US$ 3, que aumentam o volume, mas reduzem a margem de lucro dos operadores já pressionados por custos elevados.

Além das questões financeiras, clientes de longa data criticam a perda da “magia” que antes associavam ao McDonald’s, especialmente após a não reabertura de muitos parquinhos que foram fechados durante a crise sanitária.

A iniciativa mais recente da rede, batizada de “Next”, busca reanimar as vendas por meio de investimentos em tecnologia, reformas nas lojas e estratégias para ganhar participação de mercado nos segmentos de frango e bebidas, além de revitalizar os PlayPlaces como parte de um amplo programa de modernização.

Eric Gonzalez, analista da Seaport Global, mostrou-se otimista com o programa, mas alertou que os resultados significativos podem demorar pelo menos um ano para aparecer, e que fatores negativos como o aumento esperado nos gastos de capital e a pressão de curto prazo sobre as vendas já estão refletidos na avaliação da empresa.

As ações do McDonald’s negociam bem abaixo da média de valuation dos últimos cinco anos, cerca de 17 vezes o lucro futuro projetado, embora Wall Street mantenha postura majoritariamente positiva, com 24 recomendações de “compra” e 16 de “neutra”.

Com informacoes de InfoMoney.

Tainá Ribeiro Alves

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