Fraude no INSS usa idosos como dublês de biometria para desviar R$ 86 milhões
Autoridades do Ministério da Previdência identificaram um esquema criminoso que se vale da vulnerabilidade de idosos para fraudar benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O método consiste em empregar pessoas idosas como "dublês" nas etapas de reconhecimento biométrico exigidas para concessão de auxílios, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Segundo a investigação, os golpistas apresentam documentos falsificados dos beneficiários e, na hora da captura da impressão digital ou facial, substituem o idoso por outro indivíduo que já teve seus dados biométricos registrados no sistema do INSS. Dessa forma, o algoritmo de verificação aceita a identidade falsa, permitindo que os recursos sejam liberados para contas controladas pelos criminosos.
O montante total desviado até o momento foi estimado em R$ 86 milhões. As operações foram detectadas após cruzamento de informações entre a Receita Federal, a Polícia Federal e o próprio INSS, que identificaram padrões incomuns de pagamentos e relatos de idosos enganados por promessas de auxílio financeiro.
As investigações apontam que o esquema envolve uma rede de intermediários que recrutam os idosos, muitas vezes em situações de vulnerabilidade econômica, oferecendo-lhes pequenas quantias como pagamento pelos serviços de “dublê”. Em troca, os beneficiários recebem valores muito inferiores ao total fraudado.
O Ministério da Previdência informou que está adotando medidas para reforçar a segurança dos processos de biometria, incluindo a atualização dos sistemas de reconhecimento facial e a ampliação de auditorias em casos suspeitos. Além disso, foram iniciadas ações judiciais contra os responsáveis identificados, com prisões preventivas e bloqueio de contas vinculadas ao esquema.
Os órgãos de defesa do consumidor alertam a população, especialmente os idosos, a desconfiar de propostas que prometem facilidades para obtenção de benefícios do INSS e a procurar as unidades oficiais para confirmar a autenticidade de qualquer procedimento que envolva dados biométricos.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

