Ele guardou R$ 20 bi no exterior, gravações revelam detalhes da fraude bancária

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 03/10/2026 06:00
Ele guardou R$ 20 bi no exterior, gravações revelam detalhes da fraude bancária

Foto: via revista piauí

Em 2 de setembro do ano passado, primeiro dia do julgamento da trama golpista de 8 de janeiro de 2023, Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, manteve conversa por WhatsApp com Marina – nome fictício – com quem mantinha um relacionamento extraconjugal.

Zettel estava apreensivo e aguardava a decisão do Banco Central sobre a compra do Banco Master pelo BRB, afirmando: “Amanhã sai a decisão, está na pauta”. A decisão acabou sendo rejeitada. Ele ainda disse que tomaria remédio para dormir porque “amanhã a sorte está lançada” e que teria “dor de barriga o dia inteiro”.

A revista Piauí obteve uma série de gravações de conversas e áudios que cobrem o relacionamento de Zettel e Marina desde o começo de 2023 até a prisão de Zettel em março de 2024. As conversas tratam de assuntos íntimos, mas também revelam urgências, rivalidades, ressentimentos, golpes e a ocultação de dinheiro no âmbito da maior fraude bancária da história do Brasil.

Durante o período em que o noticiário estava quente, Zettel comentou sobre a relação de Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, com Daniel Vorcaro: “O Xandão é melhor amigo do Daniel. Tô contando com ele. Melhor amigo, faz jantar junto, sai junto.” O operador não esclareceu o que significava “contar” com o ministro, mas corrobora os laços de amizade já expostos nos últimos meses.

Marina, adepta de uma religião de matriz africana, disse que pegaria sua guia para rezar por Zettel, para que os problemas de Vorcaro não respingassem sobre a Moriah Investimentos, empresa dirigida por Zettel. Zettel, que é pastor da Igreja Batista da Lagoinha – cujo líder André Valadão já foi indiciado por suspeita de intolerância religiosa contra candomblecistas – agradeceu pelas orações: “Te amo, te amo, te amo, te amo, tchau. Reza aí, por favor.”

Em meados de outubro, Zettel informou a Marina que viajaria ao exterior para resolver um assunto sigiloso. Após a viagem, ele explicou: “Semana passada, o Banco Central deu três semanas para o Daniel reformular o banco, senão ele vai ser liquidado. Eu fui lá [no exterior], escondi um dinheiro, porque se der tudo errado e der uma merda danada e tudo meu for bloqueado, eu tenho que ter um dinheiro pra poder continuar vivendo e mantendo as coisas. Agora, eu estou no Brasil e confio em falar isso pra você. Lá eu não podia falar isso por telefone.”

No mês seguinte, em 18 de novembro, o Banco Master foi liquidado. Na noite anterior, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal enquanto tentava embarcar para Dubai no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Na mesma ocasião, Vorcaro havia apresentado aos diretores do Banco Central um plano de venda do Master para a Fictor, empresa sem capital nem patrimônio líquido suficiente para adquirir o banco e que, tempos depois, foi acusada de operar um esquema de pirâmide financeira.

Vorcaro informou ainda ao Banco Central que parte do dinheiro da negociação viria de um investidor dos Emirados Árabes e que viajaria a Dubai naquela mesma noite para negociar o aporte.

Em áudio enviado a Marina na véspera da liquidação, Zettel contou que voava de Brasília para São Paulo com Vorcaro, a quem se referia sarcasticamente como “príncipe”: “Graças a Deus, a gente achou que ia estourar algo de ruim, mas hoje não estourou nada. Eu vou te mantendo informada e mais tarde eu te ligo com calma pra gente conversar. Te amo, te amo, te amo.”

Após a liquidação do banco e a prisão de Vorcaro, Zettel relatou a Marina: “Você já deve ter visto as notícias, né? Pegaram os telefones, os iPads de todo mundo. O meu ainda não.” Ele descreveu um telefone que mantinha escondido num compartimento de seu carro. “Já fecharam o banco, bloquearam as contas, bloquearam os bens, ele tá preso, quatro diretores do banco estão presos, mas ainda tem outros mandados para serem cumpridos. Então, assim, eu tô tomando todo o cuidado do mundo.”

Zettel também contou que havia perdido o início do turbilhão na noite anterior por ter dormido demais: “Eu enchi a cara de Rivotril para ter uma noite de sono tranquila. Os advogados bateram na minha casa à 1 hora da manhã. Esmurraram, ligaram na portaria. Eu não vi nada. Deus é bom, porque pelo menos eu dormi e descansei. Daí, acordei às 6 horas da manhã com oitenta chamadas no meu telefone.”

Ele ainda revelou que preparou uma mala contendo “pijama, bermuda, blu” antes de sair, indicando a intenção de se manter pronto para deslocamentos inesperados.

Com informacoes de revista piauí.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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