Flávio tenta conter desgaste e preservar vantagem de 47,03% no segundo turno

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/10/2026 14:20
Flávio tenta conter desgaste e preservar vantagem de 47,03% no segundo turno

Foto: via Valor Econômico

O cenário da segunda volta difere do primeiro turno, quando o PL vivia isolamento partidário; Flávio terminou a primeira fase à frente com 47,03% dos votos válidos, impulsionando a campanha bolsonarista em clima de euforia alimentado pela adesão massiva de partidos e sinalizações de apoio nos dias subsequentes à eleição.

Integrantes da campanha evitaram aparecer publicamente em “salto alto”, mas, nos bastidores, predominava a sensação de que a vitória já estava assegurada, inclusive com negociações de cargos em um futuro governo.

Em poucos dias, Flávio conquistou apoio de partidos do Centrão e da direita, posando ao lado de três presidenciáveis derrotados: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).

Na reta final, a campanha de Lula se reorganizou nas ruas e nas redes sociais, mantendo o cenário indefinido e colocando Flávio na defensiva nas discussões sobre corrupção ao constrangê‑lo a apresentar seu sigilo bancário e telefônico.

No primeiro turno, o candidato precisou esclarecer seu envolvimento com o ex‑dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a quem teria pedido dinheiro para supostamente financiar um filme sobre a vida de seu pai.

Nas últimas semanas, outro personagem passou a assombrar a campanha do filho de Bolsonaro: o advogado Willer Tomaz. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar indícios de lavagem de dinheiro praticada pela dupla, que se declara amiga e nega as acusações.

Com um curto período para a realização de agendas públicas, os aliados de Flávio foram peças importantes nesta segunda etapa. Após ser reeleito governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) emprestou seu capital político, viajou a estados estratégicos e ajudou a costurar alianças com diferentes partidos.

Outro aliado fundamental foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG), reeleito com o maior número de votos do país. O parlamentar utilizou sua influência nas redes sociais para mobilizar uma série de atos com eleitores pelo país, em eventos conhecidos como “bloquinho do 22”.

Os planos de Michelle Bolsonaro participar mais ativamente da campanha do enteado foram frustrados; a ex‑primeira‑dama e senadora eleita pelo PL do Distrito Federal teve uma passagem discreta nos dois turnos, mas, ao menos, não houve brigas públicas entre eles.

Reduzir a desvantagem no Nordeste também foi um eixo da campanha, com foco em Bahia, Paraíba, Ceará e Pernambuco. No primeiro turno, apesar de superar o petista no resultado nacional, o senador não venceu nenhum dos nove estados da região.

Em um dos principais eixos temáticos, a economia entrou em modo “vai não vai” no segundo turno. Flávio passou a enfrentar maior cobrança para explicar como faria o ajuste fiscal prometido ao mercado por seus emissários, de cerca de R$ 200 bilhões, ou 1,5% do Produto Interno Bruto, enquanto mantinha em aberto quem comandaria a Fazenda em um eventual governo.

O “tesouraço” prometido foi explorado pela campanha de Lula, que reajustou o Bolsa Família ainda no primeiro turno e passou a disseminar, sem evidências concretas, que o adversário iria cortar benefícios sociais.

A ex‑presidenta da Caixa, Daniella Marques, continuou como porta‑voz da equipe econômica, mas a campanha sinaliza que ela deve assumir uma pasta da área social.

Adolfo Sachsida, ex‑ministro de Minas e Energia e homem de confiança de Jair Bolsonaro, permaneceu cotado para a Fazenda.

Foram também ventilados os nomes de Marcelo Kayath, ex‑presidente do Credit Suisse no Brasil, e de outros economistas ainda não confirmados para integrar a equipe de governo.

Com informacoes de Valor Econômico.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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