Flávio Bolsonaro promete adesão ao Escudo das Américas e especialista alerta sobre riscos à soberania

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 26/09/2026 17:40
Flávio Bolsonaro promete adesão ao Escudo das Américas e especialista alerta sobre riscos à soberania

Foto: via VEJA

O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), declarou que, caso vença as eleições, o Brasil passará a integrar o Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump.

O acordo, que reúne catorze nações da América Latina e do Caribe com governos de direita, tem como objetivo coordenar ações contra vinte e quatro "redes narcoterroristas armadas", entre elas as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Em transmissão ao vivo na quinta‑feira, dia 24, Flávio Bolsonaro, referindo‑se ao seu movimento “Zero Um”, afirmou: "O Brasil fica de fora porque tem um presidente da República que passa a mão na cabeça de bandido, que acha que está tudo bem. O Brasil fará parte do Escudo das Américas a partir do ano que vem, porque eu vou colocar o Brasil para se unir com todos esses países para combater todos os narcoterroristas".

Na reta final da campanha, o candidato utilizou a promessa para criticar a política de segurança pública do governo Lula, reforçando a intenção de classificar o PCC e o CV como "organizações narcoterroristas" e aproveitando o anúncio coletivo dos membros do Escudo, que prevê sanções contra grupos criminosos, ação conjunta e a meta de "unir esforços para defender a soberania" dos países signatários.

O governo Lula reagiu com surpresa ao constatar que organizações criminosas brasileiras foram incluídas na lista de alvos da aliança. Além disso, demonstrou preocupação com um trecho do comunicado que menciona a defesa das economias dos integrantes do Escudo ao "salvaguardar cadeias de suprimento de minerais críticos por meio de fontes diversificadas e confiáveis", interpretação que sugere medidas para conter a influência da China na região.

Na véspera do anúncio conjunto de Trump e seus aliados, o ex‑secretário nacional de Segurança Pública Mario Sarrubbo alertou, em entrevista ao programa Ponto de Vista da VEJA, sobre a possibilidade de países vizinhos alinhados a Washington – como Colômbia, Peru e Bolívia – realizarem operações militares em conjunto com os EUA contra grupos criminosos na Amazônia, ultrapassando a fronteira brasileira. Para Sarrubbo, a Amazônia é uma área especialmente vulnerável e intervenções sem a participação do Brasil poderiam comprometer a soberania nacional.

Rogério Marinho, senador do PL‑RN e coordenador da campanha Zero Um, declarou em entrevista às Páginas Amarelas que iniciativas como o Escudo das Américas constituem uma cooperação "absolutamente normal e saudável" que ocorre com organismos multilaterais em todo o mundo ocidental. Ele ainda criticou a postura de Lula, afirmando: "O que o Lula faz é não apenas repelir, rejeitar, mas jogar isso como a falsa bandeira de soberania".

Atendimento ao assinante – Minha Abril Abril Comunicações S.A., CNPJ 44.597.052/0001-62 - Todos os direitos reservados.

Com informacoes de VEJA.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.