Fitch retira Cosan da observação negativa, mas mantém alerta sobre dívida
A Fitch Ratings anunciou nesta quinta‑feira, dia 20, a retirada da Cosan (CSAN3) da observação negativa, ao mesmo tempo em que reafirmou os ratings de longo prazo da companhia em BB‑ – tanto em moeda estrangeira quanto em moeda local – e manteve o rating nacional de longo prazo em A+ (bra). A perspectiva dos ratings corporativos, porém, continua negativa, refletindo os riscos associados à execução da estratégia de desalavancagem da holding.
Essa mudança ocorre após os recentes desinvestimentos realizados pela Cosan, que elevaram moderadamente as projeções para indicadores como loan‑to‑value (LTV) e cobertura de dívida. A agência destacou, entre as operações, a captação de R$ 2,3 bilhões obtida com a venda de ações da Compass, recursos que deverão ser empregados na antecipação do pagamento de dívidas.
Um ponto favorável apontado pela Fitch é o perfil de vencimentos da dívida: a Cosan não possui amortizações previstas até 2028, o que oferece maior flexibilidade financeira e tempo para a realização de novos desinvestimentos. Contudo, a agência alerta que o momento e as condições para novas vendas de ativos permanecem incertos, e uma eventual frustração na execução da estratégia nos próximos trimestres pode levar a um rebaixamento dos ratings.
A desalavancagem continua sendo o principal desafio. A Fitch estima que a relação entre dívida bruta e caixa recorrente (FFO) da Cosan permanecerá acima de 7 vezes, enquanto a cobertura de juros pelos recursos operacionais deve ficar, em média, em apenas 0,7 vez nos próximos anos. Os índices de LTV bruto e líquido são projetados entre 45 % e 50 % e entre 35 % e 40 %, respectivamente, após os recentes desinvestimentos e antecipações de dívida.
A qualidade do portfólio da holding sustenta a nota de crédito, sobretudo pelas participações em Rumo (RAIL3) e Compass, que respondem por cerca de 60 % do valor estimado da carteira e dos dividendos que deverão chegar à controladora.
No cenário‑base da agência, a Cosan deve receber aproximadamente R$ 1,9 bilhão em dividendos por ano, principalmente das duas empresas citadas. Mesmo assim, a Fitch projeta fluxo de caixa livre (FCF) negativo de cerca de R$ 170 milhões por ano, em média, até 2029, devido aos elevados pagamentos de juros. A expectativa é que os dividendos recebidos continuem abaixo das despesas financeiras. O cenário‑base não considera dividendos pagos pela própria Cosan aos acionistas nem novas aquisições de ativos no horizonte analisado.
Sobre a Raízen (RAIZ4), a agência afirmou que suas projeções não incorporam saídas de caixa ou passivos para a Cosan relacionados às negociações de reestruturação da subsidiária não controlada. Não é a primeira vez que a Cosan tem sua classificação revisada; já em 10 de agosto a Moody's rebaixou a empresa para A+.br, conforme relatado anteriormente, e a simplificação de sua estrutura corporativa foi anunciada em 14 de agosto, reforçando o dinamismo do grupo no mercado.
Com informacoes de Money Times.

