Unipar entra no radar do BTG: alerta neutro e foco nos dividendos de Barsi

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 27/08/2026 21:25
Unipar entra no radar do BTG: alerta neutro e foco nos dividendos de Barsi

Foto: via Money Times

A Unipar (códigos UNIP5 e UNIP6) pode passar despercebida por muitos investidores, mas ocupa lugar de destaque na carteira do maior acionista pessoa física da bolsa, Luiz Barsi, o "Rei dos Dividendos". Barsi detém 24% das ações preferenciais e 14% das ordinárias da companhia, além de exercer a função de vice‑presidente do conselho de administração.

Na última quarta‑feira, a ação, pouco analisada pelos sell‑side, recebeu cobertura do BTG Pactual. A recomendação foi neutra, com preço‑alvo fixado em R$68, o que representa um potencial de valorização de 23,2% em relação ao último fechamento de R$55,19. Os analistas afirmam que, embora a Unipar seja resiliente, grande parte do ganho já está precificado no mercado.

O relatório do BTG destaca que a empresa está se transformando em uma plataforma de cloro‑álcali, deixando de ser centrada nos spreads de PVC. Essa mudança oferece uma base de lucro líquido mais estável, porém com potencial limitado de crescimento a partir dos níveis atuais. Para que haja revisão positiva, seria necessária uma recuperação dos spreads de PVC, que permanecem comprimidos, e uma redução da alavancagem, que ainda está acima do que o banco considera normalizado.

Quanto aos dividendos, um dos principais atrativos da Unipar, os analistas apontam que o recente ciclo de CAPEX elevou significativamente a alavancagem, aumentou as despesas financeiras e reduziu a conversão do EBITDA em fluxo de caixa para os acionistas. O foco da gestão em desalavancagem deve limitar os pagamentos de dividendos no curto prazo. Na avaliação do BTG, a ação UNIP6 negocia cerca de 7,2 vezes o EV/EBITDA projetado para 2027, prêmio de 56% sobre a média histórica, com yield de fluxo de caixa aproximado de 6% (média histórica de 13%) e retorno de dividendos de cerca de 5% (média histórica de 10%).

A Unipar concluiu recentemente um ciclo de investimentos relevante, que incluiu cerca de R$1 bilhão na conversão da unidade de Cubatão para tecnologia de membrana e aproximadamente R$234 milhões na planta de cloro‑álcali de Camaçari. O banco estima que esses projetos gerarão economias estruturais de R$120 a R$130 milhões anuais, decorrentes de menores custos de energia elétrica, vapor e despesas fixas em Cubatão, reforçando o EBITDA.

Os analistas alertam que a Unipar pode ser interpretada equivocadamente se o foco permanecer apenas no PVC, que ainda representa a maior fatia de receita. Na prática, a lógica industrial começa no negócio de cloro‑álcali: eletricidade e salmoura produzem cloro e soda cáustica, sendo que apenas parte do cloro é transformada em PVC. Em 2021, o PVC respondia por aproximadamente 77% do EBITDA da empresa; a projeção do BTG indica que essa participação deve cair para cerca de 26% em 2026, com cloro e soda fornecendo a maior parte da base de resultados, enquanto a recuperação do PVC será vista como potencial de valorização adicional, e não como pilar central.

No pregão, as ações da Unipar recuaram 1,81%, acumulando queda de 5,16% no ano.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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