Expansão da IA pode gerar tsunami de lixo eletrônico, alerta relatório da BAN
Um estudo divulgado pela Basel Action Network (BAN), organização ambiental que monitora o fluxo internacional de resíduos eletrônicos, alerta que a rápida expansão de data centers destinados à inteligência artificial pode desencadear um "tsunami" de lixo eletrônico.
Segundo o relatório, a quantidade de resíduos tóxicos gerados anualmente pode chegar a 13 milhões de toneladas até 2030 – um volume que, se acumulado, seria suficiente para formar seis fileiras de contêineres ao redor da Terra. Apenas cerca de 20 % desse material seria encaminhado para destinação adequada, conforme afirma Jim Puckett, cofundador da BAN.
Os resíduos incluem substâncias perigosas como mercúrio, cádmio, chumbo, compostos químicos persistentes e metais que exigem processos específicos de recuperação.
Para chegar a esses números, a BAN considerou uma estimativa de 100 gigawatts (GW) de nova capacidade computacional global até 2030, abrangendo servidores, sistemas de refrigeração, infraestrutura elétrica, cabeamento e demais componentes críticos. Nos Estados Unidos, a projeção aponta a necessidade de, no mínimo, 4.871 unidades de equipamentos, grande parte deles voltados para aplicações de IA.
Entre os componentes detalhados, um rack de alta densidade usado em computação de IA pode pesar aproximadamente 1.360 kg. Equipamentos de rede, como switches, chegam a 30 kg cada, e cada rack pode concentrar centenas de quilos de cabos de cobre. Devido ao desgaste térmico ou à obsolescência de desempenho, esses componentes são substituídos a cada dois a cinco anos. A evolução dos requisitos de IA também acelera a substituição de computadores, celulares e outros dispositivos de telecomunicação.
Jim Puckett ressaltou ao The Guardian que a maioria dos resíduos ainda é descartada de forma inadequada. A BAN combate o envio ilegal de lixo tóxico para países em desenvolvimento, onde o tratamento costuma ocorrer sem as devidas normas ambientais. No Brasil, a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABRE) registra mais de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico produzidas anualmente, número que tende a crescer com a expansão dos centros de dados impulsionada pela aprovação do Redata, sancionada em 16/09.
Como já mostramos em nossa cobertura sobre a decisão judicial que obriga o Google a abrir seu ecossistema de anúncios a concorrentes, o setor de tecnologia está sob crescente escrutínio regulatório. A BAN alerta que, se não houver mudanças na concepção, reutilização e reciclagem desses materiais, a expansão da IA poderá transformar uma parcela cada vez maior da infraestrutura tecnológica em resíduos tóxicos.
Com informacoes de Tecnoblog.

