Especialistas dos EUA e da China exigem limites rígidos para IA militar
No Fórum Xiangshan, realizado em Pequim, participaram aproximadamente 2 mil militares, diplomatas e acadêmicos representando 100 países, todos focados nas discussões sobre os limites do uso militar da inteligência artificial.
Adul Boonthumjaroen, ministro da Defesa da Tailândia, alertou que a competição entre grandes potências não deve se resumir à busca por maior poder, enfatizando que o mundo está em um ponto de inflexão crítico.
Já Muhammad Ali, secretário de Defesa do Paquistão, destacou que os avanços tecnológicos estão "comprimindo o cronograma estratégico", acentuando a urgência de controlar a velocidade das decisões militares.
Segundo a Reuters, especialistas de segurança dos Estados Unidos e da China debatam como evitar que uma reação automática seja interpretada como ataque, potencializando uma escalada militar.
Em diálogo entre instituições americanas e chinesas, foram apresentadas propostas que abordam questões tradicionalmente ligadas ao controle de armas, entre elas: limitar o uso autônomo de IA em sistemas de comando nuclear; manter seres humanos responsáveis por ataques cibernéticos de grande impacto; criar uma linha direta entre EUA e China para incidentes envolvendo sistemas autônomos; impedir que a IA decida sozinha pelo uso de armas nucleares; estabelecer uma definição comum para "controle humano significativo".
A linha direta permitiria que um governo notificasse o outro quando uma operação automatizada fosse acidental, não autorizada ou ainda estivesse sob investigação, reduzindo o risco de interpretações equivocadas que poderiam levar a retaliações precipitadas.
Jurg Lauber, vice‑presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, ressaltou que a crescente autonomia das armas eleva a necessidade de supervisão humana.
As propostas também contemplam proteções para infraestruturas críticas — energia, finanças e saúde — com o objetivo de impedir que a IA tenha autonomia para executar ações de consequências militares ou estratégicas graves.
China e Estados Unidos ainda divergem sobre a estrutura de controle: Pequim inseriu a IA na alçada do Ministério das Relações Exteriores, responsável pelo controle de armas, enquanto Washington distribui a responsabilidade entre diferentes órgãos.
Nenhum dos dois governos endossou publicamente as propostas, embora ambos demonstrem preocupação com medidas que possam retardar seu próprio desenvolvimento tecnológico, mantendo a disputa tecnológica em foco.
Como já apontamos em cobertura anterior sobre o endurecimento das regras judiciais chinesas para coibir abusos de IA, a China continua a avançar em projetos militares de IA, reforçando a necessidade de acordos internacionais robustos.
Com informacoes de Olhar Digital.

