Amnesty International aponta expansão da vigilância em massa na Argentina sob governo de Milei

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/08/2026 21:40
Amnesty International aponta expansão da vigilância em massa na Argentina sob governo de Milei

Foto: via G1

Um estudo de 64 páginas elaborado pela Anistia Internacional documenta que, nos primeiros dois anos de governo de Javier Milei, a Argentina ampliou significativamente suas capacidades de vigilância em massa, criando um ambiente que restringe a privacidade, a liberdade de expressão e a realização de manifestações pacíficas.

De acordo com o relatório, entre 2024 e 2025 o Estado investiu pelo menos US$ 1,2 milhão em novas tecnologias de monitoramento, abrangendo rastreamento de mídias sociais, reconhecimento facial e equipamentos de vigilância aérea. As aquisições incluem 69 drones e 11 estações de controle terrestre equipadas com rastreamento automatizado, câmeras térmicas e transmissão de imagens em tempo real.

No último ano, foram registrados 300 protestos em todo o país, motivados por cortes nos gastos públicos, endividamento crescente e reformas trabalhistas. A diretora‑adjunta da Anistia Internacional na Argentina, Paola Garcia Rey, alertou que o uso generalizado dessas ferramentas gera um efeito devastador, configurando uma rede de controle estatal que busca desencorajar manifestações e silenciar vozes dissidentes.

Para compor o documento, a organização ouviu 21 pessoas – jornalistas, ativistas e aposentados – e analisou documentos de compra das tecnologias de vigilância. O pesquisador e consultor em Inteligência Artificial e Direitos Humanos da Anistia, Matt Mahmoudi, destacou que a Argentina não é um caso isolado, apontando que governos autoritários ao redor do mundo têm ampliado o uso de tecnologias de vigilância contra defensores de direitos humanos, jovens, imigrantes, grupos marginalizados e opositores, muitas vezes sem supervisão ou responsabilização.

Decretos e medidas ministeriais viabilizaram a expansão da vigilância baseada em IA. Em julho de 2024, a então ministra da Segurança, Patricia Bullrich, instituiu a Unidade de Inteligência Artificial Aplicada à Segurança, autorizada a monitorar mídias sociais abertas, aplicativos, sites e a dark web, além de permitir o reconhecimento facial em tempo real por meio de imagens de câmeras de segurança.

Em outubro de 2023, o governo adquiriu uma licença de reconhecimento facial da empresa Clearview AI, que mantém um banco de dados com mais de 70 bilhões de imagens faciais. Apesar de a Clearview ter sido multada na França, Itália, Grécia e Holanda por práticas irregulares de uso de dados, o Ministério da Segurança afirma que a Polícia Federal utiliza a tecnologia exclusivamente em investigações judiciais em curso.

A Anistia Internacional utiliza o termo “tecnoautoritarismo” para descrever a associação entre tecnologia e controle governamental, e recomenda que a Argentina proíba o reconhecimento biométrico remoto para vigilância em massa de seus cidadãos.

As entrevistas incluídas no relatório revelam que a intimidação gerada pelo monitoramento sistemático se traduz em moderação do discurso, menor participação em protestos e autocensura nas redes sociais. Os depoimentos indicam que o controle constante altera comportamentos e, ao que tudo indica, tende a se tornar permanente.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.