Estrutura cósmica com 'cauda de gatinho' flagrada pelo Hubble em Beta Pictoris

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 04/11/2026 18:54
Estrutura cósmica com 'cauda de gatinho' flagrada pelo Hubble em Beta Pictoris

Foto: via Canaltech

O telescópio Hubble revelou uma estrutura bastante inusitada em Beta Pictoris, um disco de detritos em um sistema planetário a mais de 60 anos-luz da Terra. Ali aparece uma formação ondulada que lembra a cauda de um gatinho, apelido que os astrônomos adotaram para ela.

Segundo os pesquisadores, essa 'cauda cósmica' parece ser um vestígio de uma colisão entre dois corpos com o tamanho de Plutão. Para dimensionar a estrutura, se o felino fosse proporcional a ela, sozinha a cauda teria tamanho suficiente para dar 500 voltas no Sistema Solar, ou seria equivalente a 200 trilhões de gatinhos.

Outra diferença marcante está na idade dos sistemas. O Sistema Solar tem cerca de 4,6 bilhões de anos, enquanto Beta Pictoris é um sistema jovem, com no máximo alguns milhões de anos. Por isso, ele ainda registra colisões entre corpos planetários, processo semelhante ao que ocorreu na juventude do nosso sistema.

A comparação também evidencia a organização da nossa vizinhança cósmica: os planetas orbitam o Sol em grupos separados pelo Cinturão de Asteroides, localizado entre Marte e Júpiter, e, após Netuno, pelo Cinturão de Kuiper, repleto de objetos congelados. Como não é possível observar o passado do Sistema Solar, o estudo de sistemas jovens como Beta Pictoris se torna uma das melhores alternativas.

No caso desse sistema, o material é formado por longas cadeias de átomos de carbono, que absorvem a luz e por isso aparentam cor escura. Os pesquisadores também identificaram uma aparente distorção, que parece resultar da interação entre a trilha de matéria da 'cauda' e um dos planetas do sistema.

"Isso nos dá mais uma linha de evidência sobre como os planetas gigantes influenciam os cometas por meio de sua imensa força gravitacional", afirmou Arin Avsar, autor que liderou o estudo. "É uma prova de quão profundamente esses planetas massivos realmente influenciam a poeira e os corpos gelados ao seu redor, em um raio de centenas de unidades astronômicas."

Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.

Com informacoes de Canaltech.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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