El Niño pode frear queda da Selic em 2027, mas cenário de economia fraca abre espaço para novos cortes, diz CEO da Bradesco Asset
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex‑secretário do Tesouro Nacional, avaliou nesta terça‑feira (29) que a trajetória da taxa Selic até 2027 pode sofrer uma pausa inesperada devido ao risco climático representado por um novo episódio de El Niño.
Atualmente, a Selic encontra‑se em 13,75% ao ano, nível que se firmou após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual no setembro passado. Na ata da reunião, o Banco Central ressaltou que a medida fazia parte da estratégia de conduzir a inflação de volta à meta.
Segundo Funchal, o choque de oferta provocado pelo El Niño – que tende a encarecer alimentos e outros produtos essenciais – pode levar o Copom a “pisar no freio” no início de 2027, interrompendo momentaneamente os cortes de juros. “Pode ser que pare no início do ano por causa do choque do El Niño. Mas, ainda assim, você tem uma queda de juros razoável contratada para o ano que vem. Pelo menos essa é a nossa visão”, afirmou durante painel promovido pela TAG Investimentos em parceria com o podcast Market Makers.
O executivo acrescentou que o clima não é o único risco no radar. O preço do petróleo, que também pode pressionar a inflação, poderia, em uma análise fria, indicar a necessidade de elevação dos juros. Contudo, esse não é o cenário‑base da Bradesco Asset.
Funchal apontou que o crescimento mais lento do crédito livre e a perspectiva de menor estímulo fiscal em 2027 devem enfraquecer a economia. “Não vai dar um solavanco na economia. Vai ter um crescimento baixo e, naturalmente, isso já é um impulsionador de queda de juros”, explicou.
Os primeiros sinais de desaceleração já aparecem no crédito, e parte dos estímulos adotados em 2026 pode não se repetir no próximo ano, criando um cenário de forças opostas: choques de oferta que mantêm a inflação pressionada no curto prazo e uma atividade econômica mais fraca que abre espaço para novos cortes.
O próprio Banco Central reconheceu, no Relatório de Política Monetária de setembro, que a combinação entre desaceleração da atividade e possíveis choques de preços será um dos fatores a pesar nas próximas decisões sobre a Selic.
Na mesma semana em que Funchal fez essas declarações, o portal fantom.news destacou outros movimentos relevantes do Bradesco: a preparação de um cheque de R$10 bilhões anunciada em cobertura sobre LCIs, LCAs e dividendos recordes da Petrobras, além da atualização da recomendação neutra e da redução do preço‑alvo da Cemig (CMIG4) para R$13 feita pelo Bradesco BBI. Esses fatos reforçam a atenção que o mercado tem dedicado às estratégias e perspectivas da instituição.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

