Buracos negros crescem sem necessidade de fusões galácticas, revela estudo com 546 galáxias sem bojo do DESI
Um novo censo de galáxias discais com núcleos ativos, construído a partir dos dados do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), indica que os buracos negros supermassivos podem aumentar de massa sem a necessidade de colisões galácticas.
O estudo isolou 546 galáxias sem nenhum bojo detectável dentro de um conjunto maior de 2.435 galáxias de disco que exibem linhas de emissão largas, constituindo a maior amostra já reunida para investigar a relação entre a massa do buraco negro e a massa estelar total da galáxia hospedeira.
Historicamente, desde a descoberta de John Magorrian e colaboradores em 1998 de que a massa do buraco negro acompanhava a massa do bojo, passando pelas correlações refinadas por Laura Ferrarese e David Merritt em 2000 e pelo grupo de Karl Gebhardt, até a proporção estabelecida por Nadine Häring e Hans‑Walter Rix em 2004 (aproximadamente um milésimo da massa estelar do bojo), a narrativa dominante atribuía o crescimento dos buracos a fusões galácticas que formavam o bojo e canalizavam gás para o núcleo.
No entanto, simulações hidrodinâmicas começaram a sugerir um papel menor das fusões. A análise da simulação Horizon‑AGN, publicada por Garreth Martin e colaboradores em 2018, apontou que cerca de 65 % do crescimento dos buracos negros desde que o Universo tinha pouco mais de dois bilhões de anos ocorreu por processos seculares, independentes de colisões. Já a simulação EAGLE, estudada por Stuart McAlpine e equipe em 2020, encontrou que as fusões contribuíram com menos de 15 % da massa final de um buraco negro típico.
Ao comparar as 546 galáxias sem bojo – um conjunto cinco vezes maior que o melhor catálogo anterior – com as previsões das relações de escala, os autores verificaram que as massas dos buracos negros se alinham com as expectativas, como se tivessem passado por fusões que nunca aconteceram. O resultado sugere que barras e braços espirais do disco são suficientes para alimentar o núcleo ativo.
O trabalho foi liderado pela doutoranda Sophie M. Jewell, do Departamento de Física da Universidade de Oxford, em parceria com Rebecca Smethurst e Chris Lintott, também de Oxford, Brooke Simmons, da Universidade de Lancaster, além de colaboradores das universidades de Edimburgo, Brno, Toronto, Louisville, Haverford, Utah e Hertfordshire.
O artigo foi aceito para publicação na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível no repositório arXiv desde 18 de setembro de 2026.
Como já mostramos em nossa cobertura sobre a missão Transporter‑18 da SpaceX, a astronomia avança rapidamente quando grandes levantamentos de dados são combinados com análises detalhadas, e este estudo reforça a ideia de que processos internos nas galáxias podem ser tão decisivos quanto eventos catastróficos externos.
Com informacoes de Space Today.

