Asteroide 2026 QQ8 é capturado temporariamente pela Terra e se torna nova minilua

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/11/2026 03:30
Asteroide 2026 QQ8 é capturado temporariamente pela Terra e se torna nova minilua

Foto: via Globo

Um pequeno asteroide, designado 2026 QQ8, foi confirmado como temporariamente aprisionado pela gravidade da Terra, segundo comunicado divulgado em 29 de outubro pelo Minor Planet Center (MPC), órgão vinculado à União Astronômica Internacional responsável por monitorar corpos menores do Sistema Solar.

O objeto, identificado pela primeira vez em 20 de agosto pelo astrônomo húngaro Krisztián Sárneczky, tem tamanho estimado entre 1 e 2 metros de diâmetro. As análises indicam que a captura ocorreu em abril, mantendo o asteroide preso ao planeta enquanto segue sua trajetória orbital ao redor do Sol.

Especialistas ressaltam que, apesar da proximidade em escala astronômica, não há indícios de risco de impacto. Caso a rocha penetrasse na atmosfera, seria provavelmente desintegrada antes de alcançar a superfície, de acordo com informações do portal Space.com.

As projeções de distância mínima variam entre os especialistas: alguns apontam que o asteroide não se aproximará a menos de 568 mil km da Terra, enquanto outros calculam um periastro de 537 mil km. Ambas as estimativas superam a distância média de 384 mil km que separa a Terra da Lua.

Estudos revelam que 2026 QQ8 completa uma volta ao redor do Sol em aproximadamente 359 dias e que seus encontros próximos com a Terra ocorrem, em média, a cada dez anos. No entanto, nem toda passagem resulta em captura; registros de 1965 mostram que, embora o corpo tenha passado perto do planeta, não ficou temporariamente aprisionado.

A próxima aproximação está prevista para 2058, sem garantia de nova captura. O fenômeno de corpos pequenos que são temporariamente mantidos pela gravidade terrestre é conhecido como “minilua”. Esses objetos, que podem ser asteroides ou cometas, dão uma ou mais voltas ao redor da Terra antes de escapar novamente.

Em agosto de 2024, a Terra chegou a ter duas miniluas simultâneas: o asteroide 2024 PT5, que apresentou composição química similar à da Lua, sugerindo origem em material lunar ejetado, e o 2022 NX1, que já havia sido capturado em 1981 e retornou à condição de minilua em 2022.

O 2026 QQ8 destaca-se por ser maior que a maioria das miniluas observadas. Uma pesquisa publicada em 2025 na revista Icarus estimou que o diâmetro médio de uma minilua é de cerca de 75 centímetros, muito inferior ao tamanho de 1 a 2 metros do asteroide atual. O estudo também apontou que, em média, esses corpos permanecem ligados à Terra por nove meses, mas objetos um pouco maiores poderiam permanecer por períodos mais extensos; por exemplo, um asteroide de 3 metros poderia ser mantido como minilua por dez a vinte anos, se as condições de captura forem favoráveis.

Mesmo sem representar perigo imediato, asteroides como 2026 QQ8 são valiosos para a ciência. Sua proximidade permite observações detalhadas, contribuindo para o entendimento da formação e evolução do Sistema Solar, além de auxiliar no desenvolvimento de estratégias de defesa planetária. Conhecer a composição, tamanho e dinâmica de objetos próximos à Terra pode melhorar a avaliação de ameaças futuras e aprimorar técnicas de monitoramento.

O MPC incentiva a comunidade científica a continuar observando e estudando 2026 QQ8, reforçando a importância de coletar mais dados sobre esse visitante temporário.

Com informacoes de Globo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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