Aquecimento global pode “envelhecer” águas do Pacífico e reduzir oxigênio, aponta estudo
Pesquisadores publicaram na revista AGU Advances uma análise que utiliza modelos de circulação oceânica para investigar como o aquecimento do planeta pode modificar a movimentação das águas do Oceano Pacífico e alterar a sua “idade”.
O conceito de idade da água não se refere ao tempo de existência das moléculas, mas ao intervalo desde o último contato da massa d’água com a atmosfera, contato essencial para a absorção de oxigênio antes que a água seja transportada para as camadas mais profundas.
Nos setores subtropicais do Pacífico, o estudo revela que o aquecimento tende a “envelhecer” a água, diminuindo a quantidade de oxigênio dissolvido. O fenômeno decorre de uma circulação mais rasa, que reduz a ventilação da camada superficial e impede o transporte de água jovem e rica em oxigênio para a termoclina.
Em contraste, nas áreas tropicais, a tendência é de que a água se torne relativamente mais “jovem”. O aquecimento reduz o vigor da subida de águas profundas – normalmente pobres em oxigênio – fazendo com que a superfície receba menos água antiga, o que limita a perda de oxigênio nessa região.
A diferença mais pronunciada entre os dois padrões ocorre na termoclina do Pacífico, camada que se estende aproximadamente de 200 a mil metros de profundidade. O aumento da temperatura da superfície intensifica a estratificação, ampliando a diferença de densidade entre as camadas superiores e inferiores e dificultando a troca vertical de água.
Para chegar a esses resultados, os autores criaram diversos cenários de aquecimento: alguns aumentaram a temperatura de todo o oceano, enquanto outros focaram em regiões-chave. As simulações foram confrontadas com dados de quatorze modelos climáticos e com medições de oxigênio realizadas no oceano, permitindo validar as projeções.
O oxigênio dissolvido é vital para a vida marinha já adaptada às condições atuais. A combinação de água mais velha e menor disponibilidade de oxigênio pode reduzir habitats, forçar migrações ou provocar o desaparecimento de espécies sensíveis. Além disso, o próprio aumento da temperatura pode transformar os ambientes, exigindo adaptações adicionais.
Os cientistas concluem que é urgente aprofundar as investigações sobre essa nova configuração de circulação, a fim de compreender plenamente os impactos sobre os ecossistemas marinhos e avaliar a capacidade de adaptação da vida oceânica.
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Com informacoes de Olhar Digital.

