Academias brasileiras aumentam margens e número de alunos apesar de juros altos e concorrência acirrada
O panorama econômico adverso – juros em patamares elevados, custos operacionais crescentes e dificuldade de acesso ao crédito – tem pressionado todos os setores, inclusive o de academias, que ainda lida com concorrência excessiva.
Segundo o Relatório do Mercado Fitness 2026, divulgado pela Wellhub, as academias brasileiras conseguiram se destacar: nos últimos 12 meses, 90% dos proprietários de academias e estúdios aumentaram o número de alunos, e 62% relataram elevação nas margens de lucro no mesmo período.
Entretanto, o desafio permanece. Aproximadamente 98% dos empresários do segmento apontam que a concorrência se intensificou nos últimos três anos, enquanto 97% afirmam que o custo para conquistar novos clientes subiu. Atualmente, há mais de 60 mil CNPJs ativos de academias no país e, mantendo o ritmo de abertura, o número pode ultrapassar 70 mil até o próximo ano.
A pesquisa indica que 97% dos gestores perceberam aumento nos custos de captação de clientes nos últimos 12 meses, 69% consideram a operação significativamente menos previsível e 72% já se preocuparam com a sustentabilidade financeira da empresa ao menos uma vez no último ano. “O aumento dos custos é real. Se não gerenciadas de forma eficaz, essas pressões se convertem diretamente em margens mais apertadas, decisões mais difíceis de precificação e contratação, e menos tolerância para ineficiências”, destaca o estudo.
Há diferença entre academias independentes e redes. Entre as independentes, 44% afirmam que a receita cresce mais rápido que os custos, contra 22% das redes nacionais e regionais. Um percentual maior de proprietários independentes também registrou aumento nas margens de lucro em comparação aos que pertencem a redes. Quanto à expansão, 70% das redes planejam abrir novas unidades nos próximos 12 meses, mais do que o dobro da taxa das independentes, que é de 33%.
Essas disparidades refletem a estrutura distinta dos grupos: redes dispõem de capital e sistemas operacionais para crescimento acelerado, enquanto independentes focam na otimização do negócio já existente.
Para sustentar o crescimento, as academias diversificaram suas fontes de receita. Nos últimos dois anos, 92% dos operadores reforçaram a oferta de personal trainers, 80% passaram a oferecer orientação nutricional e 62% investiram na venda de suplementos e outros produtos ligados ao universo fitness. A mudança no comportamento do consumidor também foi citada: 84% dos empresários acreditam que os alunos estão mais sensíveis a preços, embora não busquem necessariamente mensalidades mais baratas, preferindo flexibilidade contratual e maior relação custo‑benefício.
Na prática, academias de musculação perceberam que apenas os equipamentos não bastam; é necessário incluir acompanhamento profissional, ferramentas digitais, modalidades variadas e iniciativas de bem‑estar. Por isso, 80% reconhecem que, para crescer nos próximos 12 meses e manter relevância, é essencial incorporar novos formatos em alta, como recuperação, pilates ou fitness racing.
A tecnologia também ganhou destaque. Diante do aumento do custo de aquisição de clientes, 59% dos empreendedores fitness investiram em novas tecnologias – sistemas de gestão, CRM, automação e ferramentas de inteligência artificial – nos últimos 12 meses. Além disso, 62% acreditam que a IA será crucial para competir pela atenção dos consumidores no próximo ano, sendo aplicada principalmente na produção de conteúdo para redes sociais, atendimento e ações de marketing. Essa tendência se alinha ao estudo da McKinsey divulgado anteriormente pelo portal, que mostrou que apenas 6% das empresas brasileiras conseguem transformar investimento em IA em lucro real, indicando que o setor fitness está entre os poucos que conseguem capitalizar essa tecnologia.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

