Zema impõe condição para desistir e apoiar Flávio só se bloco da direita fizer o mesmo
Mesmo pressionado por integrantes do próprio Novo a abandonar a disputa pela Presidência, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema decidiu seguir como candidato e impôs uma condição para uma eventual desistência: só deixaria a corrida se outros nomes da direita fizessem o mesmo movimento.
Segundo Fernando Henrique Meira de Castro, presidente do Novo em São Paulo, a principal argumentação dentro da legenda é “aproveitar qualquer chance de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sem correr o risco de um segundo turno”. Em entrevista à Gazeta do Povo, Meira de Castro afirmou que “esse é o grande argumento de uma parte relevante dentro do partido. Talvez majoritária, eu não diria unanimidade, mas uma parte grande do partido acredita nisso. Não é apoiar o Flávio em si, é tirar o Lula. Se fosse o Caiado, se fosse qualquer outro candidato com chance de tirar o Lula, esse raciocínio seria o mesmo”.
A condição foi apresentada pelo próprio Zema na terça‑feira (29), durante jantar do grupo Esfera Brasil. O candidato argumentou que a desistência de um único candidato não mudaria o quadro, pois a eleição caminha para dois turnos, mas que “se um bloco de candidatos da direita abrisse mão em favor de Flávio, aí muda de figura”. Zema considerou o cenário improvável e afirmou que não se aliou a Flávio até o momento e que não se aliará antes da votação no primeiro turno.
Zema admitiu ter recebido “diversos pedidos” para deixar a disputa, inclusive de integrantes do Novo e do PL, e disse que anunciará seu apoio no segundo turno ainda na noite de domingo (4), contra o PT. “Fica, na minha opinião, muito feio para um time sair de campo antes do jogo acabar”, declarou, acrescentando “eu nunca desisti de nada na vida, por que agora, depois de velho, eu vou desistir?”.
Na pesquisa Quaest mais recente, publicada nesta segunda‑feira (28), Zema somou 1 % das intenções de voto no cenário estimulado.
A pressão sobre Zema aumentou depois que Ricardo Salles (Novo) desistiu da eleição ao Senado por São Paulo para apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Embora a candidatura de Salles não tivesse gerado grande entusiasmo, a pesquisa Quaest divulgada alguns dias antes mostrava que ele somava 8 % das intenções de voto.
A liberdade para apoiar Flávio não é nova dentro do Novo. Conforme Meira de Castro, a decisão foi tomada entre junho e julho, quando o partido confirmou a candidatura de Zema em reunião em Brasília. “Já estava autorizado aos candidatos, com o conhecimento do Zema, que tínhamos candidatos que iriam apoiar o Flávio e nós daríamos essa liberdade. Isso é uma coisa pacificada dentro do partido”, explicou. Ele citou candidatos paulistas a deputado federal que condicionaram sua filiação à possibilidade de apoiar Flávio desde o início, como o ativista político Pedro Pôncio e o vereador de Bauru Eduardo Borgo.
A única linha vermelha, segundo o dirigente, é a esquerda: “É muito diferente se alguém for apoiar o Lula. Aí isso não está autorizado, isso geraria problemas”.
Meira de Castro descreve a migração recente para o voto útil em Flávio como motivada pela leitura de que o candidato poderia crescer na última semana e vencer Lula ainda no primeiro turno. Em São Paulo, a maior parte dos candidatos ainda apoia Zema; os que migraram para Flávio são, em sua maioria, os mais antigos e conhecidos da legenda, o que explica o peso do movimento mesmo sendo minoritário na chapa paulista.
O dirigente comanda 164 candidaturas no estado, entre 94 candidatos a deputado estadual, 70 a deputado federal, além do candidato ao Senado, até a desistência de Salles e do candidato à Presidência.
Nos grupos de WhatsApp da legenda, o apoio antecipado de nomes históricos do Novo ao candidato do PL foi considerado oportunista por alguns membros reservados, que viram a atitude como tentativa de ganhar vantagem antes da votação.
Com informacoes de Gazeta do Povo.

