Wall Street aposta trilhões em IA e busca seguros contra eventual colapso

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 01/11/2026 19:37
Wall Street aposta trilhões em IA e busca seguros contra eventual colapso

Foto: via Olhar Digital

Depois de impulsionar a valorização de trilhões de dólares em ações e empresas de tecnologia, a inteligência artificial (IA) passou a gerar uma reação de cautela entre os investidores, que agora buscam instrumentos capazes de limitar perdas caso a aposta se revele equivocada.

Essa tendência se manifesta em diferentes frentes de Wall Street: enquanto alguns recorrem a opções de venda de ações, outros adotam contratos de proteção contra calotes, e ainda empresas que operam data centers procuram mecanismos para reduzir o impacto de uma possível queda na demanda por capacidade computacional.

“Estamos vendo demanda realmente significativa de pessoas que querem se proteger contra perdas”, declarou Stephen Solaka, vice‑presidente sênior da Gateway Investment Advisers, ao The Wall Street Journal.

A preocupação ganhou força após empresas de diversos portes não conseguirem atender às expectativas do mercado. A volatilidade atingiu inclusive companhias que se beneficiaram diretamente do entusiasmo com a IA, como fabricantes de chips, gigantes de tecnologia e operadoras de infraestrutura computacional. Na sexta‑feira (30), o Nasdaq, índice fortemente concentrado em empresas de tecnologia, recuou 2,9 %, registrando o pior mês desde março de 2025. Alphabet e Intel também apresentaram algumas das maiores quedas diárias.

Um dos instrumentos mais procurados são as opções de venda, conhecidas como put options. Esses contratos conferem ao comprador o direito de vender uma ação a um preço pré‑definido até uma data específica, funcionando como um seguro: se o papel desvalorizar muito, o investidor pode limitar parte do prejuízo. O interesse por esse tipo de proteção aumentou, especialmente em torno da CoreWeave, empresa de infraestrutura de IA que aluga capacidade computacional e tem recorrido a grandes volumes de financiamento. Segundo a Cboe Global Markets, o volume de contratos de opções ligados à companhia atingiu recorde em outubro e permaneceu elevado.

Entre as apostas mais populares estão opções com vencimento em 2028 que oferecem retorno caso as ações da CoreWeave caiam para US$ 35 (cerca de R$ 190). Na última semana, os papéis eram negociados em torno de US$ 55 (aproximadamente R$ 300).

Outra frente de proteção envolve os credit‑default swaps (CDS), contratos que funcionam como seguro contra o risco de uma empresa deixar de pagar suas dívidas. O custo desses contratos subiu no último mês para cinco grandes empresas de tecnologia e computação em nuvem – Amazon, Alphabet, Microsoft, Meta e Oracle – atingindo níveis mais altos desde 2021, de acordo com dados da provedora Solve.

“Não houve exceções, o que sugere uma preocupação ampla do mercado com o setor, em vez de eventos de crédito específicos de empresas individuais”, afirmou Eugene Grinberg, cofundador da Solve. A mudança foi especialmente expressiva no caso da Oracle, cujos spreads de CDS aumentaram mais de um ponto percentual.

A busca por proteção não se limita a investidores que detêm ações. Empresas que alugam chips e infraestrutura para desenvolver modelos de IA também estão procurando maneiras de reduzir o risco de queda nos preços da capacidade computacional. A Jump Trading, empresa especializada em negociação quantitativa, criou recentemente uma mesa dedicada ao mercado de poder computacional, aproveitando diferenças de preço entre fornecedores e estruturando contratos financeiros negociados diretamente entre as partes.

Um exemplo ajuda a entender como esse mercado pode funcionar: uma empresa de infraestrutura que aluga chips da Nvidia poderia adquirir uma opção de venda para se proteger contra uma queda no preço cobrado pelo aluguel desses equipamentos. Se a demanda por processamento diminuir, os valores recebidos pelo aluguel também podem cair. Com o contrato, a companhia teria o direito de vender sua capacidade computacional a um preço previamente estabelecido, reduzindo o impacto sobre seus resultados. A Jump poderia assumir o outro lado da operação, negociando um contrato com liquidação em dinheiro ou até mesmo alugando a capacidade computacional para revendê‑la a outro cliente.

O mercado já apresenta variações expressivas. O aluguel de chips Nvidia B300 subiu cerca de 56 % neste ano, chegando a US$ 7,56 por hora (aproximadamente R$ 41), segundo um índice da Silicon Data. Em uma operação hipotética, a Jump poderia concordar em comprar essa capacidade caso o preço caísse para US$ 4 por hora (cerca de R$ 22).

Dave Olsen, presidente da Jump, destacou que os participantes estão analisando com mais cuidado quais empresas devem sair vencedoras e quais podem enfrentar dificuldades, avaliando os modelos econômicos dos negócios e a capacidade de cada companhia de cumprir suas obrigações financeiras.

Como já abordamos em nossa cobertura sobre a escassez de placas de circuito impresso causada pela alta demanda de IA, o entusiasmo em torno da tecnologia está gerando pressões tanto na oferta quanto na percepção de risco, levando investidores e operadoras a adotarem estratégias de proteção cada vez mais sofisticadas.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

Theo é o nerd de plantão do MOTNAF.NEWS. Vive rodeado de gadgets, códigos e novidades — se tem chip, tela ou atualização, ele já testou. Acompanha lançamentos e o mundo tech com o olhar de quem realmente entende do assunto. De smartphones a inteligência artificial, nada passa despercebido por ele. Curte tanto a última placa de vídeo quanto as tretas de bastidores das big techs. Explica o complicado de um jeito simples, sem tecniquês chato. Testa, compara e te conta o que vale a pena de verdade. Seu compromisso é te manter atualizado e nunca deixar você pagar mico numa conversa de tecnologia. Cada matéria é feita pensando no leitor curioso. É MOTNAF.NEWS, é tecnologia de verdade.