Mais de 300 extensões do Chrome sequestram buscas dos usuários e desviam pesquisas para servidores controlados por terceiros

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 01/11/2026 10:01
Mais de 300 extensões do Chrome sequestram buscas dos usuários e desviam pesquisas para servidores controlados por terceiros

Foto: via Canaltech

Mais de 300 extensões do Google Chrome estão interceptando as pesquisas dos usuários antes que elas cheguem ao buscador. A descoberta foi feita pela empresa de segurança cibernética Socket, que identificou que essas ferramentas fazem as consultas passarem primeiro por servidores controlados pelos responsáveis pelos complementos. Só depois as buscas são encaminhadas ao Bing ou ao Yahoo, sem que o usuário perceba a mudança.

Ao longo de dez anos, essas extensões acumularam cerca de 13,4 milhões de instalações. A técnica explora um recurso nativo do Chrome que permite às extensões modificar o buscador padrão sem executar códigos adicionais.

Em uma análise, o pesquisador John Tuckner encontrou um complemento que utilizava apenas um arquivo de configurações e três ícones. Além disso, a extensão não solicitava permissões do sistema durante a instalação, o que reforça a dificuldade de perceber o comportamento suspeito.

Um teste realizado com a extensão Predator Search mostrou que seis pesquisas idênticas foram encaminhadas para quatro destinos diferentes. Como o redirecionamento acontece antes de a consulta chegar ao Bing ou ao Yahoo, os operadores conseguem controlar o tráfego e receber comissões por indicação dos mecanismos de busca.

Quando o relatório foi divulgado, a maioria das mais de 300 extensões identificadas já havia sido removida da loja oficial do Chrome, a Chrome Web Store. Ainda assim, novas variantes continuavam surgindo. Segundo a análise, a distribuição ocorre principalmente fora da loja oficial, por meio de pop-ups exibidos em sites menores.

Para atrair instalações, os complementos se apresentam como ferramentas úteis, incluindo conversores de PDF, localizadores de manuais, serviços de busca segura e assistentes de pesquisa com inteligência artificial (IA).

O redirecionamento também traz riscos à privacidade. Como as pesquisas passam primeiro pelos servidores dos operadores, esses responsáveis podem visualizar o histórico de consultas e associá-lo a identificadores únicos. A infraestrutura ainda pode ser usada para encaminhar usuários a páginas de phishing ou a downloads de programas maliciosos.

Como saber se o seu Chrome foi afetado? A instalação de uma extensão não garante que o usuário perceba a mudança no mecanismo de busca, e os avisos de confirmação do navegador podem não deixar sinais evidentes durante a navegação. Para verificar se há algum complemento suspeito, siga estas recomendações:

Revise as extensões instaladas: digite chrome://extensions na barra de endereços do Chrome e confira a lista de complementos. Remova ferramentas desconhecidas que não foram instaladas por iniciativa própria.

Confira o mecanismo de busca: acesse “Configurações” > “Mecanismo de pesquisa” e verifique se o buscador padrão corresponde à sua preferência. Caso encontre uma opção desconhecida, selecione o serviço desejado.

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Com informacoes de Canaltech.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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