Virada numérica de Flávio Bolsonaro em Minas gera alerta para Lula, aponta análise de Felipe Nunes
Na pesquisa de segunda volta realizada pela Quaest em Minas Gerais, divulgada nesta terça-feira (8), Flávio Bolsonaro alcançou 40% das intenções de voto, enquanto Lula registrou 37%, revertendo a situação observada em julho, quando o presidente detinha 38% e Flávor tinha 35%.
O estado tem um histórico que obriga qualquer análise presidencial a considerá‑lo com atenção: de 1989 a 2022, o candidato que venceu a eleição nacional também foi o mais votado pelos mineiros na rodada decisiva, como ocorreu com Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.
Com margem de erro de três pontos para mais ou para menos, os dois candidatos permanecem tecnicamente empatados, mas a inversão numérica – de vantagem de três pontos para Lula a desvantagem de três pontos – tem significado político relevante, pois Minas chega à reta final da campanha sem uma vantagem clara para o presidente.
Nos demais estados do Sudeste, a pesquisa também coloca Flávio à frente de Lula no segundo turno: São Paulo registra 41% para Flávio e 33% para Lula; Rio de Janeiro apresenta 43% contra 37%; e o recorte regional mostra 43% para Flávio e 34% para Lula. A média nacional aponta empate técnico em 41% para cada candidato, mas o Sudeste apresenta diferenças internas marcantes.
Entre os três estados analisados, o Rio de Janeiro oferece o melhor desempenho para Flávio, igualando o percentual regional de 43%. São Paulo, com 41%, fica dois pontos abaixo, enquanto Minas Gerais, com 40%, registra três pontos a menos que o Sudeste. Apesar de São Paulo proporcionar a maior vantagem numérica sobre Lula (oito pontos), o Rio entrega o maior percentual absoluto para Flávio.
As diferenças entre os estados não implicam, por si só, distinções estatísticas significativas, pois a margem de erro do recorte Sudeste é de três pontos. Além disso, a pesquisa nacional e as estaduais são levantamentos distintos, e o recorte regional inclui também o Espírito Santo. Em São Paulo, a diferença de oito pontos supera a margem de dois pontos para cada candidato; no Rio, a diferença de seis pontos está no limite do empate técnico (margem de três); em Minas, o empate está dentro da margem de erro.
Comparando com os resultados de 2022, Lula recebeu 33,2% dos eleitores aptos em São Paulo, 38% em Minas Gerais e 32,4% no Rio. Hoje, os números são 33% em São Paulo, 37% em Minas e 37% no Rio, mantendo-se próximo ao patamar anterior em São Paulo, recuando um ponto em Minas e subindo 4,6 pontos no Rio. Essa comparação utiliza o total de eleitores aptos como denominador, preservando votos em branco, anulados e abstenções.
Em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro em 2022, ele obteve 41% em São Paulo, 37,7% em Minas e 42,1% no Rio. Flávio Bolsonaro registra agora 41% em São Paulo, 40% em Minas e 43% no Rio, reproduzindo quase exatamente os percentuais de 2022 em São Paulo, superando em 0,9 ponto o resultado do pai no Rio e ultrapassando em 2,3 pontos o percentual de Jair em Minas.
O deslocamento relativo dos números torna Minas Gerais o principal recado da rodada: embora Lula consiga manter um patamar próximo ao que tinha em 2022, a vantagem numérica de Flávio pode ser interpretada como um alerta para a campanha presidencial, sem, contudo, constituir uma previsão definitiva do resultado nacional.
Com informacoes de G1.

