Vida de luxo nas redes e rastro de calotes: dívidas de Roberta Luchsinger chegam à Justiça
Os processos judiciais movidos contra a empresária Roberta Luchsinger mostram um padrão recorrente: oficiais de justiça não conseguiram localizá‑la nos endereços informados para intimá‑la, e não foram encontrados bens ou valores em contas bancárias que pudessem ser penhorados.
Em duas ações, a própria Roberta alegou incapacidade financeira para arcar com os custos processuais.
A empresária está sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em Brasília. O inquérito apura supostas ligações de Roberta com Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como "Marcola" e ex‑chefe de gabinete da Presidência; com Fábio Luís Lula da Silva, "Lulinha", filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e com o lobista Antônio Carlos Antunes, apelidado "Careca do INSS", apontado como operador de fraudes em benefícios previdenciários e preso preventivamente.
Em depoimento, Roberta afirmou: "Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia 'linkar' uma coisa na outra".
Sobre a relação com Lulinha, declarou: "Eu e Fábio somos amigos. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista."
O trânsito de Roberta no meio político começou em 2011, quando se casou com o ex‑deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB), separando‑se em 2014. Em 2017, passou a se apresentar publicamente como herdeira de um fundador do banco suíço Credit Suisse. Contudo, registros civis indicam que seu avô, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, nasceu no Rio de Janeiro em 1927 e era proprietário de uma lavanderia. Questionada, Roberta informou não possuir documentos que comprovem a origem suíça do familiar.
Em 2016, Roberta e uma sócia de produtora apresentaram ao investidor Lauro um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani, com orçamento previsto de 4 milhões de dólares, que seria coberto por um fundo de investimento do Bahrein. Para iniciar as gravações antes da liberação do montante internacional, foi necessário um empréstimo ponte de 300 mil dólares (cerca de R$1,5 milhão na cotação da época). Roberta convenceu Lauro a figurar como avalista, oferecendo como garantia uma fazenda de sua propriedade em Minas Gerais em troca de participação na bilheteria e comissão de R$40 mil.
O aporte estrangeiro não se concretizou, as parcelas do empréstimo não foram quitadas e o credor obteve na Justiça a posse da fazenda do avalista, avaliada em R$8 milhões. Lauro declarou: "O projeto do filme era bonito, uma história que valia a pena vender para investidores. Acabei aceitando a proposta. Tudo o que eu tinha estava lá. Não é a questão da propriedade em si, é o sonho".
Entre os credores estão profissionais autônomos e estabelecimentos de serviços. Em 2011, o tapeceiro Nilton Cezar foi contratado para reformar estofados, camas e revestimentos da residência de Roberta, com valor total de R$61 mil. Após pagamento inicial de R$25 mil, o saldo restante não foi quitado. O profissional acionou o Judiciário, obtendo ganho de causa em todas as instâncias, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acordos celebrados ao longo da execução judicial foram descumpridos. O tapeceiro relatou: "A gente tem um baque porque precisa pagar funcionário e aluguel do ponto. Chegamos a vender um carro por causa disso".
Para tentar estancar o processo, Roberta ofereceu à Justiça uma coleção de 14 gravuras que avaliou em R$70 mil, apresentando-as como obras originais de Cândido Portinari. O processo foi suspenso, porém o Projeto Portinari, entidade responsável pela autenticação do acervo do artista, confirmou que as peças eram reproduções impressas sem valor de originalidade.
Outras ações judiciais somam débitos com: instituição de ensino – dívida de R$91 mil referente a mensalidades escolares não pagas da filha ao longo de 2017; comércio de vestuário – compra de R$6.124 realizada em 2017 em loja de roupas, cujo valor atualizado pela Justiça ultrapassa R$21 mil; um quadro oferecido como garantia de R$100 mil que desapareceu antes do leilão judicial; direitos trabalhistas – processos movidos por uma babá e uma empregada doméstica demitidas sem verbas rescisórias, que somavam R$50 mil e prescreveram sem que os valores fossem recebidos.
Em 2019, Roberta passou a residir em um apartamento de alto padrão em São Paulo. Os proprietários, um casal de idosos que dependia do aluguel para complementar a renda, moveram ação de despejo em 2020 por inadimplência contínua de aluguel, condomínio e IPTU. A desocupação do imóvel ocorreu apenas em 2023. O proprietário morreu.
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Com informacoes de G1.

