Alerta para a saúde mental: campanha Setembro Amarelo destaca prevenção ao suicídio e riscos das redes sociais
O suicídio, fenômeno complexo, passou a ser compreendido como a manifestação do indivíduo em sua relação com a coletividade, baseando-se nos estudos de Émile Durkheim, um dos fundadores da sociologia, ainda hoje referência para a análise desse comportamento.
No Brasil, estima‑se que 14 mil pessoas cometam suicídio a cada ano, ocorrendo em todos os estratos da sociedade, independentemente de origem, classe social, idade, orientação sexual ou identidade de gênero.
O programa Yellow Ribbon (laço amarelo) traz dois princípios fundamentais para a prevenção do suicídio e de transtornos mentais: o primeiro, “Não há problema em pedir ajuda”, oferece acolhimento a quem enfrenta dificuldades; o segundo, “Be a link” (Seja um laço), incentiva a postura proativa em relação a quem se encontra em situação vulnerável, promovendo ajuda comunitária antes da busca por atendimento profissional.
Uma iniciativa importante é conduzida pelo Centro de Valorização da Vida, em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço funciona 24 horas por dia, por meio do telefone gratuito 188, oferecendo apoio imediato a quem necessita.
Especialistas reforçam a necessidade de uma rede de apoio e assistência a pessoas em sofrimento que, por diversas circunstâncias, não conseguem pedir ajuda.
A chegada da campanha Setembro Amarelo é oportuna para aprofundar o debate sobre os riscos à saúde mental de crianças e adolescentes provocados pelas redes sociais.
No Brasil, o debate ganhou destaque após o caso de uma adolescente de 13 anos que foi induzida ao suicídio no Mato Grosso do Sul por meio da plataforma Discord. Cinco adolescentes e um adulto de 18 anos foram presos, suspeitos de integrar um grupo criminoso que abordava menores no ambiente virtual.
Nos Estados Unidos, a Meta aceitou pagar uma indenização de US$ 16 bilhões, equivalentes a R$ 86 bilhões, para encerrar processos judiciais movidos por 29 estados norte‑americanos. A empresa era acusada de utilizar mecanismos em suas redes sociais que provocam dependência nos usuários e prejudicam a saúde mental de jovens.
Esses episódios reforçam a necessidade de implementar regulação nas redes sociais, a fim de conter a busca por lucros bilionários às custas da saúde mental da sociedade e proteger os mais vulneráveis de grupos criminosos que operam nas sombras do ambiente digital.
Em um mundo em que as relações pessoais se mostram cada vez mais fragilizadas, a campanha Setembro Amarelo oferece oportunidade para reaproximação, diálogo e ajuda, promovendo mais presença e menos distância, algo essencial neste século marcado pela revolução tecnológica.
Com informacoes de Correio Braziliense.

