Trump autoriza execução militar e anuncia transmissão ao vivo; decisão ainda não tomada, afirma presidente

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 10/10/2026 13:20
Trump autoriza execução militar e anuncia transmissão ao vivo; decisão ainda não tomada, afirma presidente

Foto: via O GLOBO

O presidente Donald Trump autorizou a primeira execução de um militar nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, ao decidir que o soldado Hasan, atualmente detido na penitenciária militar de segurança máxima em Fort Leavenworth, Kansas, será executado.

Três horas após o anúncio, o republicano declarou: "Eles estão decidindo sobre isso, mas ele será morto. Eu realmente não me importo como ele vai morrer, contanto que ele morra".

Na quinta‑feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a execução de Hasan seria pública e aberta ao público para visualização, argumentando que "as pessoas precisam entender que existem consequências graves para esse tipo de coisa".

Em comunicado posterior, o Pentágono confirmou que a execução por pelotão de fuzilamento também seria transmitida ao vivo.

O vice‑presidente JD Vance, por sua vez, disse que não sabe se a transmissão realmente vai acontecer, mas garantiu que não pretende assistir, se for o caso.

Poucos países realizam execuções públicas e ainda menos há notícias de transmissões ao vivo ou gravações do momento da aplicação da pena capital. A organização de direitos humanos Anistia Internacional destacou casos em que execuções públicas no Irã e na Arábia Saudita foram filmadas por espectadores, mas o plano do governo americano se aproxima mais de grupos extremistas e de autores de massacres com disparo em massa de armas de fogo.

O Estado Islâmico ganhou notoriedade durante a guerra civil na Síria pelos vídeos de execuções brutais de prisioneiros que não tiveram direito ao devido processo legal.

Hegseth afirmou que o Estado americano está cercando a execução militar de simbolismos.

O método de execução — pelotão de fuzilamento — foi utilizado pela última vez por militares dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. O secretário de Defesa ressaltou gostar "da mentalidade que tínhamos [os EUA] na Segunda Guerra Mundial".

A pena será aplicada por soldados armados com fuzis, às 13 horas, que é o mesmo horário em que o crime foi cometido.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos apontou os planos do governo americano como uma forma de "tortura", relacionando diretamente as medidas anunciadas por Washington com práticas de países autocráticos. "Como o Alto Comissariado ressaltou em reação às execuções públicas no Afeganistão e no Irã, as execuções públicas constituem uma forma de tratamento ou pena cruel, desumano e degradante", declarou o braço da ONU em manifestação à agência de notícias francesa AFP. "A transmissão ao vivo de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura".

O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos de 1966 estabelece a "proibição absoluta da tortura proíbe as execuções públicas". Para o Alto Comissariado das Nações Unidas, o descumprimento tornaria a "execução arbitrária" e "representaria uma violação do direito à vida".

A última execução pública autorizada nos EUA ocorreu há mais de 90 anos, em Owensboro, Kentucky. Cerca de 20 mil pessoas se reuniram para presenciar o enforcamento, em agosto de 1936, de Rainey Bethea, um jovem negro condenado pelo estupro e assassinato de uma idosa branca.

A execução de Hasan, caso se confirme, será a primeira realizada pela justiça militar desde 1961.

O plano levou à reprovação de políticos, líderes religiosos e defensores dos direitos humanos, tanto nos EUA quanto no exterior. A ex‑secretária de Estado Hillary Clinton escreveu nas redes sociais: "Uma ideia bárbara, indigna de nossa nação. Reajam a isso".

Congressistas de ambos os partidos também se manifestaram. Adam Smith, o principal democrata na Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Deputados, disse que o plano era "perturbador e ridiculariza nosso sistema jurídico", enquanto o senador democrata Chris Murphy também se manifestou contra a medida.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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