Supostos pagamentos de R$ 500 mil mensais a filho de ministro do STF surgem em mensagens de Daniel Vorcaro
O aparelho celular de Daniel Vorcaro foi apreendido pela Polícia Federal e, a partir da análise de seu conteúdo, foram divulgados trechos que mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). A divulgação ocorreu poucas horas antes da sessão plenária realizada na terça‑feira, 15 de setembro, em que o STF examinou o relatório da PF sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, conforme já noticiado em cobertura anterior do portal.
Em resposta às alegações, Kevin Marques apresentou nota afirmando que não recebeu recursos de Vorcaro. Segundo a mesma nota, o advogado recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult, prestadora de serviços jurídicos na área tributária, e que tal relação profissional não possui vínculo com o STF.
Durante a abertura da sessão, o ministro Kassio Nunes Marques solicitou a palavra, declarou que seu filho nunca prestou serviços ao Banco Master nem recebeu remuneração do banco, e ressaltou que sempre manteve postura isenta em casos envolvendo a instituição. Em seguida, o ministro informou que se considerava impedido de participar do julgamento, justificando que, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem a missão constitucional de garantir o equilíbrio das eleições previstas para 4 de outubro e, por isso, opta por permanecer “equidistante” de possíveis influências políticas.
As conversas extraídas do celular de Vorcaro incluem intercâmbios com Luiz Rennó, ex‑diretor jurídico do Banco Master. Em 1 de outubro de 2024, Rennó enviou mensagem indicando que o banco havia obtido êxito no processo “Alcídia”, referente a precatórios do setor sucroalcooleiro, mencionando que os votos favoráveis vieram dos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Vorcaro respondeu apenas com um emoji. Na mesma sequência, Rennó encaminhou o contato de Kevin Marques ao texto “Dominado aqui” e tentou anexar uma imagem que não foi disponibilizada.
No dia 4 de julho de 2025, Rennó enviou nova mensagem a Vorcaro perguntando se o pagamento de “500 mil mês” ao filho do ministro continuava, acrescentando um comentário irônico. Em julho, Rennó encaminhou a Vorcaro uma lista de consultorias e escritórios ligados a autoridades, questionando se havia alguma “prioridade máxima”. Vorcaro respondeu citando “Consult? Guido e Lewandowski”. Rennó, então, destacou a importância da Consult e mencionou renovação recente.
Em 8 de agosto de 2025, Rennó informou que “dos pagamentos essenciais está faltando a Consult”. A Consult é descrita como empresa de consultoria pertencente a um sócio do filho do ministro, compartilhando o mesmo endereço de e‑mail do IPTF (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária), entidade vinculada a Kevin Marques.
Outras trocas de mensagens revelam tentativas de aproximação com André Mendonça, relator do caso Master no STF. Em 7 de fevereiro de 2025, o advogado Ciro Soares enviou a Vorcaro a mensagem “Tô com André M.”, seguida de uma chamada de 1 minuto e 10 segundos. No dia seguinte, Ciro enviou uma foto ao lado do ministro. Em 16 de fevereiro, Ciro escreveu que precisava falar com Vorcaro, pois “A.M. quer recebê‑lo” e que era “muito importante” que ele fosse ao encontro acompanhado por Ciro. No dia seguinte, Ciro confirmou horário para a reunião. A assessoria de imprensa de André Mendonça não se manifestou. Em nota divulgada em 2 de setembro, o ministro afirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro “uma única vez”, no início do ano anterior, para tratar de precatórios em julgamento no STF.
Paralelamente, o deputado Cezinha de Madureira foi alvo de operação na segunda‑feira, 14 de setembro, sob a supervisão do ministro Flávio Dino, investigado por suposto tráfico de influência e por vender aproximações com ministros. No despacho, Dino concluiu que não ficou comprovado que o deputado poderia efetivar as promessas de aproximação.
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Com informacoes de G1 Política.

