Supercomputador simula os primeiros 2 bilhões de anos do Universo
E se fosse possível observar o fim da era da escuridão, período astronômico marcado pela formação das primeiras estrelas e galáxias? É exatamente isso que propõe uma nova simulação dos primeiros dois bilhões de anos do cosmos, rodada em supercomputadores por uma equipe internacional de astrofísicos liderada por cientistas de Harvard e do MIT.
Chamada Lumina, a simulação modela com precisão inédita o fim da chamada "era das trevas" e o início da época da reionização, representando processos ocorridos em uma escala colossal de 1,6 bilhão de anos-luz. Ao estudar essa transição, os pesquisadores buscam entender melhor como o universo evoluiu até chegar ao que observamos hoje.
O trabalho integra física de radiação, gás e matéria escura, e o resultado é um universo virtual habitado por mais de 200 milhões de galáxias. Além do valor visual, a ferramenta permite acompanhar o crescimento simultâneo de buracos negros e a transformação do hidrogênio interestelar em plasma aquecido.
Com a Lumina, os pesquisadores constataram que as previsões para o gás entre as galáxias correspondem às observações do telescópio espacial James Webb, considerado o observatório mais potente já construído. Curiosamente, porém, o Webb tem flagrado galáxias mais massivas do que as produzidas pela simulação.
Oliver Zier, astrônomo do Centro de Astrofísica de Harvard, destacou justamente essa divergência: "Para mim, uma das partes mais empolgantes desse trabalho é o que acontece quando as simulações e as observações discordam entre si: as simulações transformam nossa compreensão da física em previsão, e comparar essas previsões com o universo real nos ajuda a ver onde nossos modelos funcionam e onde algo pode ter passado."
No futuro próximo, os cientistas deverão contar com mais um aliado para explorar o cosmos. O telescópio Nancy Grace Roman avança rumo à sua órbita final, que permitirá estudar uma área ampla do universo primordial e, quem sabe, revelar quantas dessas galáxias massivas e brilhantes realmente devem existir.
Os resultados foram publicados na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
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Com informacoes de Canaltech.

