STF em crise: Moraes e ministros próximos a Lula ausentarão do desfile de 7 de setembro
Em meio a uma crise sem precedentes na história do Supremo Tribunal Federal, a divulgação, pelo ministro André Mendonça, de um relatório da Polícia Federal contendo diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, gerou forte repercussão e provocou a provável ausência de Moraes do desfile cívico de 7 de setembro.
A informação já chegou ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula, que tem buscado distanciar-se do embate institucional.
Além de Moraes, o ministro Gilmar Mendes e o senador Flávio Dino, que se encontram fora de Brasília, também não comparecerão ao evento, assim como o advogado Cristiano Zanin. Os quatro integrantes são reconhecidos como o grupo que mantém maior interlocução com o presidente da República dentro da Corte.
No início do mês passado, antes da crise se intensificar, Lula reuniu‑se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), na residência de Moraes, e Cristiano Zanin participou da conversa.
A assessoria do presidente do Supremo, o ministro Edson Fachin, ainda não confirmou a presença do próprio presidente da Corte no desfile.
No ano passado, nenhum ministro do STF compareceu ao desfile, que ocorreu durante o julgamento que condenou o ex‑presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista de 2023.
Em 2024, por outro lado, Moraes, Dino, Mendes e Zanin estiveram presentes, acompanhados do então presidente da Corte, Luís Roberto Barroso (hoje aposentado), e dos ministros Dias Toffoli e Edson Fachin.
Na tentativa de se desvincular da crise, o presidente gravou, na quinta‑feira, um vídeo de pouco mais de um minuto em que não menciona diretamente Moraes, mas aponta suspeita de envolvimento de políticos e agentes públicos no caso Master. No mesmo pronunciamento, Lula cobrou atuação do presidente do Supremo, Edson Fachin, e do procurador‑geral da República, Paulo Gonet, declarando: “Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.”
No desfile oficial em Brasília, Lula não fará discurso. O governo pretende dar destaque a temas já presentes na campanha, como a soberania nacional, reforçada pelos recentes embates comerciais com os Estados Unidos.
O evento, com duração de duas horas, terá foco especial no público feminino, apresentando mensagens de combate ao feminicídio e referências à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Será montada uma ala específica dedicada ao torneio, além da participação de atletas de outras modalidades e de atletas militares.
A vacinação também será abordada entre os temas explorados durante a cerimônia.
A Advocacia‑Geral da União acompanhou os preparativos para evitar que a oposição acuse o Tribunal Superior Eleitoral de propaganda eleitoral.
Todos os ministros do governo foram convocados a comparecer ao lado de Lula no palanque de autoridades. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), deve estar presente. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), ainda não confirmou presença, mas é esperado na cerimônia.
A programação também contará com o tradicional desfile das Forças Armadas.
A crise atingiu novo patamar quando Moraes enviou a Fachin, na quinta‑feira, relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontam supostas irregularidades cometidas por André Mendonça, como direcionamento de investigações por fins políticos e interferência em delações premiadas.
Ao solicitar à PF, Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes da Corte em razão de “diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência” dos magistrados. O despacho, porém, não detalhou quais seriam essas informações.
A medida foi adotada por Moraes após Mendonça tornar público o material sobre Daniel Vorcaro.
Em evento no Palácio do Planalto, Fachin afirmou, na sexta‑feira, que a resposta será “firme e rigorosa”, mas sem “precipitação”. Ele ressaltou que a “gravidade” dos fatos não “autoriza atalhos” e concluiu: “As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição.”
Com informacoes de O GLOBO.

