Sonho americano da MRV termina com perdas bilionárias
A MRV&CO, conglomerado de empresas imobiliárias que inclui MRV, Urba, Luggo e Resia, divulgou seu balanço, mostrando um prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões no segundo trimestre. O resultado foi influenciado principalmente pelo desempenho da Resia, sua subsidiária nos EUA, que atua na construção de edifícios e locação de apartamentos.
A Resia foi criada em 2012, na Flórida, por um grupo de empresários liderados por Rubens Menin, fundador e acionista de referência da MRV. Em 2019, a MRV adquiriu a Resia por US$ 230 milhões, com o objetivo de ampliar a produção anual de apartamentos de 700 para até 24 mil em dez anos, espalhando projetos pela Flórida, Georgia, Texas e outros estados.
No entanto, a inflação e os juros nos EUA subiram, desestimulando investidores. Sem encontrar sócios para ajudar a financiar o plano de expansão, a Resia passou a financiar seus projetos com dívidas e expectativas de vendas futuras. A empresa também investiu em uma fábrica de pré-moldados em 2023, o que exigia um grande número de obras para ser viável.
Mas os problemas se acumularam. A Resia errou em alguns projetos, demorando para encontrar inquilinos devido à oferta excessiva de moradias em certas áreas. Isso resultou em aluguéis abaixo do previsto e preços de venda menores. A dívida da Resia cresceu até atingir US$ 745 milhões no fim de 2024, equivalente a cerca de R$ 4 bilhões.
Em 2025, a MRV&CO começou a liquidar ativos para gerar caixa e enfrentar a dívida. A empresa reduziu os lançamentos, acelerou a venda de empreendimentos e se desfez de mais da metade de seu estoque de terrenos nos EUA. No ano passado, o grupo perdeu US$ 144 milhões com baixa contábil e, neste mês, reportou outra perda de US$ 110 milhões, somando um prejuízo de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão.
A MRV&CO decidiu fechar as operações da Resia nos EUA. As vendas de ativos da Resia levantaram US$ 400 milhões este ano, o que se traduzirá em cerca de R$ 1,5 bilhão para o caixa da MRV&CO. Com isso, a dívida líquida do grupo deve diminuir de R$ 5,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões. A empresa ainda tem ativos remanescentes para venda, avaliados em US$ 370 milhões, que incluem um empreendimento próprio, terrenos, participações e a fábrica de pré-moldados.
As vendas devem se estender até 2028. Alguns ativos podem ser vendidos abaixo do valor patrimonial, enquanto outros podem gerar lucro, segundo a direção da MRV&CO. A empresa busca uma forte venda de ativos para reduzir o impacto no balanço e alcançar um ponto em que a operação se torne sustentável.
Com informacoes de Estadão.

