PT mantém discurso contra o bolsonarismo e preserva relação com Alcolumbre após adiamento da votação da 6x1
A estratégia do PT, delineada desde o ano passado, consiste em sustentar o discurso de que o governo deseja aprovar a proposta de fim da 6x1 o quanto antes, mas ao mesmo tempo evitar transformar o adiamento em um novo embate com o presidente do Senado, Arthur Alcolumbre.
Nos últimos meses, a comunicação petista tem reforçado a ideia de que o “Congresso é inimigo do povo”, deslocando o alvo principal para o bolsonarismo. O partido continua atacando o Projeto de Lei de Flávio Bolsonaro, que, segundo o governo, age contra o encerramento da 6x1, e que introduziu a chamada PEC da 7x0, além de utilizar a obstrução para dificultar o avanço da proposta.
A cautela em relação a Alcolumbre tem fundamento estratégico. Lula se reaproximou recentemente do presidente do Senado na tentativa de destravar pautas governamentais antes das eleições. A avaliação interna indica que, após a reconstrução de pontes, não seria sensato iniciar uma nova disputa por causa de uma votação que ainda depende de acordos entre os parlamentares.
Mesmo que a PEC não seja votada antes das eleições — e enfrente possíveis obstáculos para avançar após a definição dos novos senadores —, o governo prefere preservar a relação com Alcolumbre e sustentar a narrativa de que a resistência está concentrada no bolsonarismo, onde, de fato, reside parte significativa da oposição à proposta.
Essa abordagem permite ao PT manter a pressão sobre o PL de Flávio Bolsonaro e a PEC da 7x0, ao mesmo tempo em que protege alianças estratégicas no Senado que podem ser decisivas para a agenda governamental no período eleitoral.
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Com informacoes de O GLOBO.

