PF aponta assimetria nas ações de André Mendonça contra políticos e identifica Davi Alcolumbre como provável alvo estratégico

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 04/09/2026 00:20
PF aponta assimetria nas ações de André Mendonça contra políticos e identifica Davi Alcolumbre como provável alvo estratégico

Foto: via G1

Em relatórios de inteligência enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal indica a existência de assimetria nas ações do ministro André Mendonça contra políticos no âmbito do caso Master e avalia que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), constitui provável alvo estratégico.

Na abertura do relatório de análise, a Polícia Federal aponta que Mendonça avançou sobre ações que deveriam ser exclusivas da investigação, deixando o plano da percepção e passando a constar em registro documental próprio. Em seguida, a PF indica indícios de tratamento diferenciado na condução da investigação, apontando "enviesamento na condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto à linha investigativa determinada".

A PF constatou variação no patamar de exigência entre os casos dos senadores Weverton Rocha (PDT‑MA) e Ciro Nogueira (PP‑PI). Segundo o órgão, "o cotejo entre os dois feitos revela variação relevante no patamar de exigência probatória aplicado a parlamentares pelo mesmo Relator, em intervalo de pouco mais de 5 meses, com a peculiaridade de que a exigência mais severa incidiu sobre o requerimento menos gravoso e sobre o acervo mais robusto".

No caso do senador Weverton Rocha, a representação sustenta que o aliado do governo exercia liderança da organização criminosa, mas "sem apontar ato de ofício, sem valor rastreado até ele e sem um único diálogo em que figure como interlocutor". O relatório ainda afirma que ele tinha conhecimento da origem ilícita dos valores que recebia, porém "sem localizar uma só comunicação em que ele trate do tema". A Polícia Federal observa que "as informações de Polícia Judiciária examinadas reproduzem a mesma arquitetura: introdução que antecipa conclusões, acúmulo de capturas de tela sem cruzamento que as conecte, e encerramento por assertivas categóricas não sustentadas no corpo do documento". A PF conclui ainda que "quanto mais frágil o insumo entregue, maior o espaço de valoração discricionária de quem decide; e quanto maior esse espaço, menor o incentivo à correção do insumo".

No caso do senador Ciro Nogueira, a PF avalia que havia um conjunto mais robusto de elementos. O relatório cita a chamada “emenda Master”, proposta de alteração da Proposta de Emenda à Constituição da Autonomia Financeira do Banco Central, da autoria de Ciro, que previa aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a PF, a emenda foi elaborada por pessoas vinculadas ao Banco Master e encaminhada pelo então diretor jurídico do banco a Daniel Vorcaro. O documento foi enviado à residência de Ciro e posteriormente protocolado no Senado. Em troca de mensagens, o banqueiro Daniel Vorcaro comemorou a apresentação do texto, dizendo: "Foi a versão. Que o andre me mandou. Final. Saiu exatamente como mandei". A PF sustenta que houve tratamento distinto na análise dos dois casos sob relatoria do mesmo magistrado: "No feito em que o acervo era comparativamente mais frágil, e a medida pretendida a mais gravosa, o Relator reconheceu 'fortes indícios' e limitou‑se a indeferir a segregação. No feito em que o acervo já continha ato de ofício documentado e a medida pretendida era a menos invasiva do ordenamento, condicionou a própria análise da justa causa à produção prévia de prova da contrapartida financeira".

Em um dos relatórios, a PF levanta a hipótese de que o presidente do Senado seria um "provável alvo estratégico", destacando sua força política e o favoritismo para se manter na presidência do Senado no próximo ano. Em despacho publicado nesta quinta‑feira (3), o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a Polícia Federal identificou o direcionamento de investigações por André Mendonça contra Davi Alcolumbre, avaliando que "Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter‑se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal". O relatório ainda cita histórico de divergências entre Mendonça e o senador, apontando Alcolumbre como um dos principais obstáculos à indicação do atual ministro do STF durante o governo do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL).

A Polícia Federal também comparou o tempo levado pelo ministro Mendonça para analisar medidas em investiga

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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