Moraes utiliza relatório sem fundamento para impedir indicação de Messias ao STF
A Polícia Federal emitiu um relatório de cinco páginas que alerta para o risco de uma nova indicação de chefe da Advocacia‑Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), destacando que o presidente Luiz Inácio Lula insiste na escolha de Messias para a Corte.
Segundo o documento, o ministro Alexandre de Moraes teria se valido de um relatório considerado apócrifo para sabotar o plano de Lula de emplacar Messias no STF, inserindo o texto no inquérito das fake news e acusando o relator André Mendonça de direcionamento político e abuso de poder nas investigações dos esquemas bilionários do Master e do INSS.
Messias foi arrastado ao epicentro da crise que opôs Mendonça, de um lado, e a aliança entre Moraes e a PF, do outro. Antes da guerra fratricida no STF alcançar o atual patamar de tensão, o chefe da AGU tentou uma “diplomacia institucional”, preferindo não acionar o Supremo para contestar as decisões de Mendonça, mas pressionando a Polícia Federal nos bastidores.
Para Messias, um eventual ofício da AGU que reproduzisse as críticas da PF a Mendonça reforçaria as insinuações de interferência nas apurações em curso, podendo servir de munição para os investigados buscarem nulidades e derrubarem as provas já coletadas. O relatório indica que Messias não estava disposto a trilhar esse caminho, ao contrário de Moraes.
O texto da PF, que analisa “a postura da Advocacia‑Geral da União e o quadro de risco associado”, reforça a artilharia contra a atuação de Messias ao longo da crise e alerta para o risco de Lula insistir na sua indicação ao STF. De acordo com o documento, o chefe da AGU decidiu não acionar o Supremo contra decisões de Mendonça para preservar a sua “relação política” com o ministro.
André Mendonça, relator de dois esquemas de fraude bilionários — o do Master e o do INSS —, foi um dos principais cabos eleitorais da campanha fracassada de Messias para a vaga aberta com a antecipação da aposentadoria de Luís Roberto Barroso, ocorrida em outubro do ano passado.
O relatório também afirma que Alexandre de Moraes determinou a exclusão automática de mensagens de Vorcaro dois meses antes da prisão do investigado. A escolha do advogado‑geral da União por priorizar seu relacionamento com o relator, em detrimento da redução do risco de exploração política do caso envolvendo o filho do presidente da República, eleva substancialmente a percepção de risco associada a eventual renovação de sua indicação ao STF.
Além disso, o documento aponta que, no momento, Mendonça “se encontra aparentemente engajado em estratégia agressiva de alteração da correlação de forças no tribunal, visando ao enfraquecimento do grupo de ministros que atuou firmemente em defesa da democracia”.
Outra recomendação do relatório é o “monitoramento e coleta dirigida” de Messias e de sua relação com Mendonça. Contudo, o texto ressalta que essa seção tem o “menor lastro documental” do relatório, sendo “única de natureza prospectiva” e não autorizando “afirmação institucional, providência formal ou manifestação externa”.
Não há informação, na leitura do relatório, se a Polícia Federal efetivamente seguiu a sugestão de monitorar os dois ministros — o do STF e o do governo Lula.
A doutrina da PF proíbe o uso de relatórios de inteligência em inquéritos, embora Moraes tenha incluído tais documentos no inquérito das fake news para acusar Mendonça de direcionamento político e abuso de poder nas investigações do Master e do INSS.
Em paralelo, a Procuradoria‑Geral da República (PGR) fechou delação com empresário que realizou pagamentos ao fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro, e a análise sobre o relatório que expôs ligações perigosas de Vorcaro e Moraes deu um ultimato a Fachin.
Com informacoes de O GLOBO.

