OAB-PR pede afastamento de Alexandre de Moraes e suspeição de Paulo Gonet; manifestação será enviada a Edson Fachin
A seccional do Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB‑PR) encaminhará ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, uma manifestação que defende o afastamento do ministro Alexandre de Moraes. A seccional de São Paulo (OAB‑SP) deve discutir proposta de teor semelhante na tarde desta quinta‑feira, 3 de abril.
O posicionamento surge como reação ao relatório da Polícia Federal (PF) tornado público por ordem do ministro André Mendonça na terça‑feira, 1º de abril. No documento, constam mensagens enviadas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao contato “Alexandre de Moraes”. O relatório foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Pleno da OAB‑PR, que também pede que o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, seja declarado suspeito para atuar nos inquéritos relacionados ao caso Master. Gonet é citado nos diálogos como alguém que deveria impedir ações contra a instituição.
“Os fatos noticiados são de gravidade tal que a permanência de ambos no exercício pleno de suas funções, enquanto a apuração corre, compromete a credibilidade do próprio procedimento”, afirma a nota da OAB‑PR.
A seccional ressalta que não cabe “antecipar juízo sobre a existência de ilícito”, mas diferencia o grau de suspeição entre os dois envolvidos. Para a entidade, Moraes enfrenta situação mais grave, já que as mensagens de Vorcaro teriam sido destinadas a ele. O afastamento, nesse sentido, seria forma de preservar tanto a investigação quanto a confiança nas instituições.
“A posição institucional do investigado não o imuniza contra medidas cautelares penais; ao contrário, exige escrutínio ainda mais aprofundado”, completa a manifestação.
A OAB‑PR argumenta que os elementos envolvendo Moraes foram encaminhados à Procuradoria‑Geral da República (PGR), mas Gonet também aparece no relatório e já pediu a nulidade da apuração. Para a entidade, essa postura comprometeria a isenção de Gonet para atuar no caso.
Em manifestação dirigida a André Mendonça, Gonet afirmou que o procedimento é “duplamente nulo” e que o ministro não tem competência, sozinho, para conduzir investigações contra colegas.
Renan Santos protocolou pedido de impeachment contra Moraes e Toffoli Girão, afirmando que “O Brasil não pode perder essa janela de oportunidade”.
Luiz Fernando Pereira, presidente da OAB‑PR, defende que o plenário do STF seja o órgão responsável por analisar e, eventualmente, afastar o ministro, e que a decisão ocorra em sessão pública, e não em reunião a portas fechadas, como sugeriu o ministro aposentado Marco Aurélio Mello. Pereira citou o inquérito das fake news, em trâmite há sete anos, “em que se confunde a posição de acusador, julgador e vítima”, para questionar a postura de Gonet de “invocar esse garantismo” e tentar a derrubada do procedimento com base na mesma conduta.
O presidente da OAB‑PR revelou que o texto será encaminhado ao Conselho Federal da Ordem, órgão que teria emitido uma “nota leve” sobre o tema, pedindo “apuração rigorosa e isenta de todos os fatos, em relação a quem quer que seja”.
A reportagem entrou em contato com o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, com a assessoria de imprensa do STF e com a Procuradoria‑Geral da República; o espaço segue aberto para manifestação. Por meio de nota, o presidente do STF, Edson Fachin, comprometeu‑se a analisar o caso e anunciar as medidas a serem tomadas “no tempo devido e sem precipitação”. Sem citar Moraes ou Mendonça, o ministro declarou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional”, mencionando “de um lado” circunstâncias relacionadas à “atuação processual” e, “de outro”, “sérios elementos de fatos”. “Chance não pode ser desperdiçada”, disse Lacombe sobre impeachment de Moraes.
Em mensagem de 30 de outubro de 2025, Vorcaro informou que a situação econômica do Banco Master está boa, mas expressou preocupação diante de informações recebidas de integrantes do Banco Central (BC). Segundo ele, os diretores do órgão, incluindo “G” – possivelmente o presidente Gabriel Galípolo – estariam sob pressão da PF e do Ministério Público Federal (MPF) para tomarem atitude contra o Master. As referências a Andrei Rodrigues e ao procurador‑geral da República, Paulo Gonet, aparecem na mesma mensagem: “É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco. Estou disponível para tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem. Vou mandar os nomes que têm ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”.
Dez minutos depois, o banqueiro listou cinco nomes da PF e três da PGR. Sete nomes são identificáveis: Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF; Janaína Palazzo, delegada que conduziu o depoimento de Vorcaro; Ubiratan Cazetta, procurador da República; Gabriel Pimenta Alv (nome incompleto na fonte).
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Com informacoes de Gazeta do Povo.

