Professor Felipe Nunes analisa pesquisa Quaest e detalha cenário da corrida presidencial antes da última semana do primeiro turno
Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas, avaliou nesta segunda-feira (28) o momento atual da disputa pelo Palácio do Planalto, com base em levantamento encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo.
No primeiro turno, Lula inicia a última semana na liderança com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 34%. Cury e Carlos Moisés Caiado ficam em 4% cada, empatados com Renan Filho, que tem 3%, e Zema registra 1%.
Na simulação do segundo turno, os dois principais candidatos ficam numericamente empatados, ambos com 42% das intenções. Os indecisos caíram para 3% e 13% dos entrevistados declararam que não votarão em nenhum dos dois.
Nos últimos 15 dias, houve redução dos indecisos de 10% para 5% e do voto útil de 16% para 12%, mantendo Lula à frente com 39% e Flávio em 34%.
A recuperação de Lula se destaca em três subgrupos: entre as mulheres, onde a vantagem passou de empate há duas semanas para +9 pontos percentuais a favor do presidente; entre eleitores de baixa renda, onde Lula tem +26 pontos percentuais de vantagem; e entre beneficiários do Bolsa Família, com 59% de intenção para Lula contra 27% para Flávio.
Essas mudanças parecem estar associadas ao pacote de medidas anunciado pelo governo na última semana: a restrição às apostas esportivas foi aprovada por 62% dos entrevistados, o reajuste do Bolsa Família por 59% e a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS por 58%.
As mulheres são o grupo que mais aprova as medidas: 64% apoiam a proibição das apostas, e 62% aprovam tanto as canetas no SUS quanto o reajuste do Bolsa Família.
Eleitores de baixa renda lideram a aprovação das canetas emagrecedoras e do reajuste do Bolsa Família, mas a proibição das apostas tem maior aprovação entre quem tem renda mais alta.
Entre os católicos, Lula registra +13 pontos percentuais de vantagem sobre Flávio, o melhor resultado desde 14 de agosto. Entre evangélicos, a vantagem de Flávio diminuiu.
O questionário já estava registrado no TSE (registro BR-6520/2026) quando a polêmica envolvendo a cidade de N.S. Aparecida ganhou as redes, evidenciando que o tema pode ter favorecido Lula ao aumentar o medo da volta da família Bolsonaro entre católicos.
O medo da volta da família Bolsonaro à Presidência cresceu entre as mulheres, enquanto o medo de que Lula continue no poder aumentou entre os homens, ampliando o gap de gênero nesta reta final do primeiro turno.
A aprovação do governo melhorou: o saldo negativo passou de -6 pontos percentuais para -3. Com isso, Lula volta a ter probabilidade acima de 50% de reeleição.
Entretanto, a probabilidade de reeleição ainda não supera 50% porque o presidente mantém um saldo negativo de avaliação de -7 pontos percentuais, situação inédita para um presidente que ainda não venceu a eleição.
O efeito positivo na aprovação fez o potencial de voto de Lula subir de 45% para 46% e a rejeição cair de 55% para 54%. Flávio Bolsonaro manteve seu potencial de voto em 43% e sua rejeição em 56%.
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiabilidade de 95%.
Com informacoes de G1.

