Por que o álbum ‘Ram’ provocou a briga entre Paul McCartney e John Lennon
O álbum Ram (1971), gravado por Paul McCartney e Linda McCartney, virou o estopim de uma das disputas públicas mais intensas do rock logo após o término dos Beatles. A batalha judicial pelo controle financeiro da banda, somada à contratação do empresário Allen Klein, transformou o ambiente criativo em um terreno de hostilidade aberta.
Segundo a reportagem, o atrito começou porque Paul McCartney incluiu mensagens diretas e críticas ao comportamento político e pessoal de John Lennon e Yoko Ono. Lennon interpretou as canções como um ataque deliberado e respondeu publicamente com faixas de protesto.
A tensão acumulada durante a separação legal dos Beatles transbordou para os versos gravados em Nova York e Los Angeles. Paul McCartney aproveitou faixas pontuais do repertório para registrar seu descontentamento. Na faixa de abertura, “Too Many People”, ele ironizou as pregações públicas de John Lennon, criticando pessoas que impunham doutrinas e quebravam parcerias de sucesso. Já em “3 Legs”, a alegoria de um cachorro de três patas que não consegue correr ilustrou a solidão de Paul diante da união dos outros três companheiros de conjunto. Por fim, “Dear Boy”, embora dedicada ao ex-marido de Linda McCartney, foi recebida por Lennon como um ataque velado à sua união afetiva com Yoko Ono.
O encarte reforçou o confronto. A foto de dois besouros copulando na contracapa simbolizou, segundo o próprio autor, a maneira como os membros da banda estavam se tratando no período de divisão patrimonial.
John Lennon tratou o lançamento como afronta direta e gravou uma resposta contundente no disco Imagine (1971). Na canção “How Do You Sleep?”, o cantor atacou o talento criativo e a integridade de Paul, com guitarras gravadas por George Harrison. A provocação visual também pautou a tréplica: a edição original de Imagine trazia um postal em que Lennon segurava um porco pelas orelhas, debochando da capa de Ram. A revista Rolling Stone e o jornal Melody Maker registraram a troca constante de farpas.
Décadas depois dos confrontos, Paul McCartney elegeu o trabalho como o disco mais marcante e excêntrico de sua carreira individual. Gravado longe dos grandes estúdios londrinos, o álbum priorizou um espírito rústico, com harmonias vocais inovadoras e arranjos pouco convencionais. Mesmo recebido com ceticismo inicial pela imprensa especializada, o repertório construiu uma reputação sólida entre novos públicos e influenciou gerações de compositores do rock alternativo.
Com informacoes de Rolling Stone Brasil.

