Por que a Apple colocou o álbum do U2 de graça em todo iPhone
Em setembro de 2014, a Apple e a banda irlandesa U2 surpreenderam mais de 500 milhões de clientes ao disponibilizar o álbum Songs of Innocence (2014) diretamente nas contas do iTunes. A ação comercial, revelada durante o evento de anúncio do iPhone 6, na Califórnia, transferiu os arquivos sonoros para a biblioteca dos proprietários de dispositivos sem consentimento prévio, o que abriu um debate amplo sobre privacidade individual.
A Apple adquiriu os direitos comerciais de distribuição de Songs of Innocence para promover os novos aparelhos e valorizar o iTunes. Segundo a reportagem, a empresa pagou ao U2 cerca de 100 milhões de dólares em marketing e royalties, inserindo o arquivo sonoro na nuvem de meio bilhão de usuários.
A iniciativa partiu do vocalista Bono, que apresentou o plano comercial ao presidente-executivo Tim Cook. O cantor sugeriu que a multinacional comprasse o projeto e entregasse as faixas gratuitamente, comparando a distribuição à entrega rotineira de jornais matinais. Anos depois, em depoimentos registrados na obra Surrender: 40 Songs, One Story (2022), o músico assumiu total responsabilidade pelo erro de julgamento ao forçar a entrada do trabalho fonográfico na rotina das pessoas.
A pressão dos clientes exigiu soluções tecnológicas urgentes para conter os protestos mundiais. Foram criadas uma página web exclusiva para remover o álbum do histórico da conta com um clique e publicados pedidos públicos de desculpas por parte dos integrantes da banda.
A relação entre os artistas e a fabricante já vinha de antes: em 2004, a Apple lançou o tocador digital iPod temático, com as assinaturas dos membros gravadas na traseira. O resultado controverso da ação de 2014 marcou uma virada no modelo de negócios da indústria da música, encerrando a prática de downloads não solicitados nos ecossistemas móveis.
Com informacoes de Rolling Stone Brasil.

