Polícia Federal abre inquérito contra Paulo Guedes e empresário da OnilX por crimes ao Sistema Financeiro Nacional
A Polícia Federal está conduzindo investigação que aponta o ex‑ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da empresa OnilX, como suspeitos de prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O inquérito criminal foi instaurado em 10 de fevereiro deste ano e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, na Justiça Federal do Paraná, sendo classificado como crime previsto na Lei nº 7.492/1986.
A OnilX tem sido alvo de múltiplos processos judiciais e recebeu ordem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que suspendeu ofertas públicas de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em janeiro, a CVM determinou a suspensão e, em abril, manteve a ordem, esclarecendo que a restrição não se estendia à simples intermediação de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.
Segundo levantamento da coluna, foram identificadas 108 ações judiciais contra a OnilX entre 12 de junho e 10 de setembro, nas quais investidores relatam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos ligados a criptomoedas e stablecoins, além de alegações de estrutura de pirâmide financeira. A empresa nega as acusações e afirma operar regularmente no mercado de ativos virtuais.
Em 24 de setembro, a reportagem revelou que Paulo Guedes esteve na linha de frente da OnilX, participando de reunião descrita como de “alta relevância estratégica” ao lado de Fábio Lino e executivos da Visa, onde foi apresentado como fornecedor de “suporte e visão” ao negócio.
Guedes também realizou palestras para investidores e assessores da OnilX. Em uma delas, dirigida a quase 500 pessoas, elogiou a companhia e afirmou que ela teria papel central no avanço do mundo digital.
O vínculo entre o ex‑ministro e a empresa apareceu em processos movidos por investidores. Um casal que pleiteia R$ 876,5 mil alegou à Justiça que manteve e ampliou seus investimentos após participar de reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril, e que, quatro meses depois, tentou resgatar os valores sem sucesso.
Em outro caso, uma assessora da OnilX enviou mensagem a um potencial cliente, citando Guedes e informando que o ex‑ministro “está dentro da empresa” e que seria possível agendar reunião caso o interessado dispusesse de recursos entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar. A transcrição da mensagem foi anexada aos autos.
O andamento processual obtido demonstra uma sequência de diligências ao longo do ano. Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações envolvendo Fábio Lino, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Em outubro, o processo registrou novas petições e diligências policiais.
Paulo Guedes está sendo representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também constam como defensores de Fábio Lino no mesmo inquérito. A defesa não respondeu aos contatos da reportagem, que permanece aberta para manifestações.
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Com informacoes de Metrópoles.

