'Pessoal, urgente': como Janones foi de ex-cobrador de ônibus a deputado e general do 'Exército do Lula'

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 28/10/2026 01:20
'Pessoal, urgente': como Janones foi de ex-cobrador de ônibus a deputado e general do 'Exército do Lula'

Foto: via O GLOBO

André Janones iniciou sua trajetória profissional como cobrador de ônibus enquanto cursava Direito como bolsista, e, após a formatura, passou a prestar assistência jurídica gratuita a pacientes do SUS em Ituiutaba (MG), cidade onde concorreu à prefeitura em 2016.

Quatro anos depois, já eleito deputado federal, Janones ganhou destaque nas redes ao defender a manutenção do valor de R$ 600 do auxílio emergencial durante a pandemia, mobilizando apoiadores em torno da causa.

Em 2022, Janones foi pré‑candidato à Presidência pelo Avante, mas desistiu da disputa para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva, apostando na sua forte presença digital em defesa do petista; sua postura combativa chegou a preocupar membros da equipe de Lula, temerosos de que pudesse comprometer a imagem de moderação construída para atrair o centro e indecisos.

Um grupo criado no aplicativo de mensagens, destinado a concentrar instruções para a esquerda, chegou a mais de 10 milhões de seguidores, alimentado diariamente por missões fixas pelo deputado; com essa estratégia, os apoiadores de Lula se mobilizaram em um campo dominado pelo bolsonarismo, e a mobilização digital liderada por Janones foi tratada como decisiva para a virada de Lula, sendo elogiada pelo presidente em seu primeiro discurso após a vitória: “Eu quero aproveitar o meu general Janones aqui e dizer o seguinte, eu duvido que a Rússia, que a China e que os Estados Unidos tenham um exército vitorioso como o exército da democracia desse país”.

Janones negou o título de “o cara da virada” e afirmou que apenas “canalizou a energia de Lula” na campanha; porém, em post de resposta ao presidente colombiano Gustavo Petro, declarou estar à “disposição da esquerda mundial para combater a extrema direita e erradicar de uma vez por todas a ameaça fascista”.

A estratégia digital incluiu a disseminação de hashtags, buscas no Google por termos ligados ao caso Ana Clara e a episódios negativos de Flávio Bolsonaro, além da criação de trends massivas, como a publicação de fotos de eleitores fazendo o “L” e usando a camisa verde e amarela associada aos bolsonaristas.

As publicações de Janones foram monitoradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, que derrubou conteúdos e proibiu que ele associasse o ex‑presidente Jair Bolsonaro ao ataque promovido pelo ex‑deputado Roberto Jefferson a policiais federais.

Em livro publicado após a vitória de Lula, Janones admitiu ter divulgado mentiras para “desestabilizar” o candidato do PL, mas permaneceu fora da composição do governo, mantendo‑se na base de Lula na Câmara dos Deputados.

Em 2024, Janones foi alvo de um pedido de cassação de seu mandato por denúncia de “rachadinha” no gabinete, caso assumido num acordo de não persecução penal firmado com a Procuradoria‑Geral da República.

No ano seguinte, o Conselho de Ética da Câmara suspendeu Janones por três meses após ele ter se referido ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) como “Nikole” e “chupetinha” em discurso na tribuna.

Outras notícias relacionadas ao cenário político incluem a investigação da Polícia Federal, conduzida por Lauro Jardim, sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro ter deixado o país rumo aos Estados Unidos, e a informação de Bela Megale de que Flávio Bolsonaro ainda não entregou o passaporte, com prazo terminando na manhã da publicação.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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