"Paciente zero", "casta de parasitas" e outras controvérsias: 70 discursos na ONU revelam críticas, ameaças e curiosidades
A 81ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada nos dias 22 e 23 de setembro, foi analisada com auxílio de inteligência artificial, que permitiu a transcrição e o estudo de 70 discursos feitos por chefes de Estado e governo entre terça‑feira (22) e quarta‑feira (23). As falas foram disponibilizadas pela própria ONU.
Os temas que mais se repetiram foram paz e segurança, citados por todos os 70 países analisados. Os oradores relataram preocupações com as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além de apontarem o narcotráfico, conflitos locais na África e violações do direito internacional como fontes de instabilidade.
Em matéria de reforma da ONU, 55 países – entre eles o Brasil – pediram mudanças no sistema das Nações Unidas. As propostas incluíram a expansão do Conselho de Segurança e a possível extinção ou restrição do poder de veto atualmente detido pelos Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
Sobre mudanças climáticas, 59 países inseriram o tema em seus discursos, descrevendo‑o como uma ameaça existencial. Nações insulares, africanas, latino‑americanas e europeias destacaram os impactos de eventos climáticos extremos, enquanto Argentina e Estados Unidos adotaram posicionamento negacionista.
A inteligência artificial foi mencionada diretamente por 49 lideranças, que a apresentaram como uma das maiores transformações da história da humanidade. Ao mesmo tempo, os países pediram cautela e ressaltaram os riscos do uso da IA para fins militares.
Os discursos também foram marcados por fortes tensões. Israel, Irã, Rússia e Estados Unidos foram duramente criticados por sanções, guerras e violações do direito internacional. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de ser o "paciente zero" da guerra, afirmando: "Depois de tudo isso, você consegue imaginar Putin sem uma guerra? Ele é o paciente zero. Aquele de quem essa ideia de guerra continua se espalhando. E, onde quer que ela se espalhe, leva apenas dor, instabilidade, novos riscos e, é claro, novas crises". Zelensky ainda citou que "há semanas, os europeus alertam que a Rússia pode ir mais longe na Europa, até mesmo em território da OTAN" e que Putin precisa ser detido pela comunidade internacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também adotou tom agressivo ao falar sobre o Irã, ameaçando que poderia "aniquilar" o país caso não fosse alcançado um acordo para impedir o desenvolvimento de armas nucleares. Em seu discurso, Trump declarou: "Um acordo será feito com o Irã para que eles consigam reconstruir um grande país, como já foi antes, talvez um dos maiores países do Oriente Médio, ou será que eu tenho que aniquilar a República Islâmica para o inferno e rapidamente?" Poucas horas depois, o próprio Trump informou que autoridades iranianas e americanas se reuniram por três horas para negociar.
A própria ONU foi alvo de críticas. O presidente da Argentina, Javier Milei, descreveu a organização como "inútil" e acusou‑a de ser mantida por uma "casta de parasitas fatalmente arrogantes disfarçados de burocratas". O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, usou parte de seu discurso para criticar as "tecno‑oligarcas" que, segundo ele, tentam impor um ultraliberalismo digital sem regras, e defendeu a regulação ética da IA sob a liderança da ONU.
Momentos curiosos também surgiram. O presidente de Nauru, David Adeang, confirmou a mudança oficial do nome do país para Naoero e pediu que as demais nações reconhecessem a cultura e a história do território, afirmando: "O que peço ao mundo não custa nada. Reconheçam e respeitem a identidade que já é nossa. Digam o nosso nome: Naoero". Em outra ocasião, um primeiro‑ministro se apresentou como vendedor, gerando risos na sessão.
Em síntese, a Assembleia Geral de 2023 destacou preocupações globais com segurança, reformas institucionais, clima e tecnologia, ao mesmo tempo em que revelou episódios de retórica agressiva, críticas institucionais e curiosidades que marcaram o debate internacional.
Com informacoes de G1.

