Paciente brasileiro sobrevive 271 dias com rim de porco e abre caminho para xenotransplantes
Um estudo liderado pelo brasileiro Leonardo Riella, professor da Harvard Medical School, registrou que um paciente em fase terminal de insuficiência renal viveu 271 dias com um rim de porco, sem necessidade de diálise, estabelecendo um recorde mundial.
O paciente, Tim Andrews, 66 anos, que antes da doença praticava acampamentos e atividades ao ar livre, havia passado um ano e meio em diálise, utilizava cadeira de rodas e enfrentava sintomas como fadiga, vômitos e sono excessivo. Em janeiro de 2025 recebeu o rim suíno geneticamente modificado.
Poucos minutos após a cirurgia, Tim retomou atividades normais, voltou a acampar, cortar lenha e comer livremente, segundo relato do médico responsável. Em entrevista ao Jornal Nacional, o próprio Andrews afirmou que sentiu-se “ótimo” e “sapateou” logo após sair da mesa operatória.
O rim utilizado não era de um porco convencional; os animais são criados com edição genética que elimina os genes responsáveis por moléculas de açúcar na superfície celular, responsáveis pela rejeição hiperaguda, e também remove fragmentos de vírus endógenos presentes no DNA suíno.
Antes de Tim, outro paciente da mesma equipe recebeu um rim de porco em 2024, mas sobreviveu apenas 52 dias, falecendo por complicações cardíacas não relacionadas ao transplante. Até então, nenhum caso havia ultrapassado dois meses de sobrevida.
Após 271 dias, Tim desenvolveu uma infecção bacteriana que obrigou a redução dos imunossupressores. Com a imunossupressão diminuída, o organismo atacou o órgão suíno, exigindo a retirada do rim de porco.
Oitenta e dois dias depois da remoção, Tim recebeu um transplante renal humano, que permanece em funcionamento sem sinais de rejeição até o momento da publicação.
O Ministério da Saúde indica que cerca de 45 mil brasileiros aguardam transplante renal, reforçando a importância de alternativas como o xenotransplante, que pode reduzir a dependência de diálise e ampliar a disponibilidade de órgãos.
Riella projeta que o xenotransplante possa se tornar uma opção clínica nos próximos cinco anos, inicialmente como ponte para o transplante humano e, a longo prazo, como substituto definitivo.
O caso de Tim Andrews demonstra que a combinação de edição genética avançada e manejo imunológico pode prolongar significativamente a qualidade de vida de pacientes com insuficiência renal, marcando um passo histórico na medicina translacional.
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Com informacoes de G1.

