Onça-pintada força moradora a abandonar sítio em Corumbá após nova visita; toque de recolher às 17h

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/11/2026 06:00
Onça-pintada força moradora a abandonar sítio em Corumbá após nova visita; toque de recolher às 17h

Foto: via G1

Uma moradora abandonou o sítio que possuía nas margens da rodovia Ramão Gomes, que dá acesso à fronteira entre Brasil e Bolívia, depois que onça-pintada foi avistada novamente na quinta‑feira (5), conforme registro de câmeras de segurança.

No vídeo, o felino se aproxima lentamente da residência, chega a deitar-se próximo à casa e, em determinado momento, tenta avançar contra os cães que estavam na varanda. O animal recua somente após os moradores acionarem uma buzina de afugentamento distribuída na região para situações semelhantes.

Gerson de Souza Alves, proprietário da fazenda, relatou: “Escutamos os latidos desesperados dos cachorros. Acordamos e vimos que ela estava rondando a casa, perto da nossa varanda. Apertamos a buzina para afugentá‑la, e ela correu para o mato, mas só depois de muita insistência”.

O medo de novos ataques tem mantido a família em estado de alerta constante. Desde junho, os moradores adotaram um toque de recolher às 17h, permanecendo confinados até o dia seguinte. Em outubro, uma onça de grande porte também circulou pelo imóvel, reforçando a sensação de insegurança.

Gerson de Souza Alves cobra dos órgãos ambientais a captura e o traslado dos felinos para áreas mais afastadas de Corumbá, afirmando que “nada foi feito” e que a presença dos animais tem causado grande abalo e sensação de desamparo.

Com a escalada da tensão, a esposa de Gerson decidiu mudar‑se para a casa da filha, levando parte dos pertences e os cães da família. “Ela viu que, depois de todos esses meses, nada foi resolvido. Então, como sempre dizem nas reportagens que estamos no lugar errado, ela decidiu sair, porque percebeu que não há como disputar o espaço com um animal protegido e intocável. Eu continuo aqui por causa de parte das minhas coisas que ainda estão na propriedade, mas agora estou totalmente sozinho”, lamentou o morador.

Especialistas apontam que a expansão de residências sobre a vegetação nativa do Pantanal, localizado no coração da região, tem aumentado os encontros entre humanos e grandes felinos, gerando conflitos e risco de ataques a animais domésticos.

A Polícia Militar Ambiental (PMA) orienta os moradores de áreas próximas a habitats de onças a adotar medidas preventivas, como manter cães de pequeno e médio porte e gatos recolhidos à noite em recintos reforçados ou dentro de casa; permitir que cães de grande porte ou de médio porte permaneçam em grupos nas proximidades como proteção; evitar deixar alimentos para animais domésticos ao ar livre após o anoitecer; reforçar lixeiras e não acumular restos de comida nos quintais; não retirar lixo doméstico ou comercial ao entardecer, preferindo colocá‑lo próximo ao horário de coleta; não descartar carcaças de animais em terrenos baldios ou perto das residências; cortar vegetação densa em terrenos baldios próximos às casas; e manter os lotes limpos para reduzir possíveis abrigos para grandes felinos.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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