OMS cobra conclusão de tratado internacional sobre pandemias e destaca o PABS como peça que falta
Os países ricos e as nações em desenvolvimento seguem sem consenso sobre as modalidades de implementação de um acordo histórico, adotado no ano passado, que serve de estrutura para a gestão de futuras pandemias, como foi a da covid-19. A informação foi dada na abertura da nona reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental (GTI), que vai até 13 de novembro, em Genebra, com o objetivo de finalizar o acordo.
Na abertura do encontro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, instou os representantes dos países a "concluírem o trabalho". Ao mencionar várias epidemias fatais recentes, ele ressaltou que a conclusão de um tratado sobre pandemias visa, acima de tudo, "proteger as populações". "Uma ameaça patogénica, onde quer que surja, pode tornar-se uma ameaça para todos, para as populações de todos os países", afirmou.
Tedros citou como exemplos a misteriosa epidemia de hantavírus, que vitimou três pessoas num navio de cruzeiro em abril, e a epidemia de ebola declarada em maio, que causou quase 5 mil mortes entre mais de 10 mil infectados, principalmente na República Democrática do Congo. Segundo ele, esses casos "recordam-nos esta ameaça".
Quando os Estados-membros da OMS concluíram o acordo sobre pandemias, em maio de 2025, adiaram a negociação de uma questão delicada relativa a um mecanismo fundamental. Apesar de oito reuniões do grupo de trabalho realizadas desde julho de 2025, esse ponto ainda não foi finalizado.
O anexo relativo ao Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS), sem o qual o acordo global sobre pandemias não pode entrar em vigor, deve definir as modalidades de acesso a agentes patogénicos com potencial pandêmico, bem como a partilha dos benefícios daí decorrentes, como vacinas, testes e tratamentos. "O PABS é a última peça que falta no nosso quebra-cabeça", declarou Tedros.
O dirigente destacou ser essencial que o mundo aprenda a lição fundamental da pandemia de covid-19: "nenhum país consegue proteger-se das pandemias agindo sozinho". Ao relembrar aquele período, observou que o mundo "desenvolveu vacinas em tempo recorde, mas muitos países tiveram de esperar, enquanto outros obtiveram muito mais do que o necessário". "Esta desigualdade custou vidas, prolongou a pandemia e aumentou o risco de surgimento de novas variantes", disse.
Para Tedros, a conclusão desta última parte do tratado sobre pandemias é "a chave que abrirá as portas para um futuro mais seguro".
- Fandoms de pop se mobilizam na reta final e viram destaque internacional na campanha de Lula
- Semifinais da Copa do Brasil Feminina: Flamengo vence o Fluminense e completa o quadro ao lado de Bragantino, Internacional e Bahia
- Proibição das apostas pode gerar apagão de dados e enfraquecer vigilância no esporte brasileiro, alerta órgão internacional
Com informacoes de Agência Brasil.

