OMS cobra conclusão de tratado internacional sobre pandemias e destaca o PABS como peça que falta

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 02/11/2026 13:30
OMS cobra conclusão de tratado internacional sobre pandemias e destaca o PABS como peça que falta

Foto: via Agência Brasil

Os países ricos e as nações em desenvolvimento seguem sem consenso sobre as modalidades de implementação de um acordo histórico, adotado no ano passado, que serve de estrutura para a gestão de futuras pandemias, como foi a da covid-19. A informação foi dada na abertura da nona reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental (GTI), que vai até 13 de novembro, em Genebra, com o objetivo de finalizar o acordo.

Na abertura do encontro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, instou os representantes dos países a "concluírem o trabalho". Ao mencionar várias epidemias fatais recentes, ele ressaltou que a conclusão de um tratado sobre pandemias visa, acima de tudo, "proteger as populações". "Uma ameaça patogénica, onde quer que surja, pode tornar-se uma ameaça para todos, para as populações de todos os países", afirmou.

Tedros citou como exemplos a misteriosa epidemia de hantavírus, que vitimou três pessoas num navio de cruzeiro em abril, e a epidemia de ebola declarada em maio, que causou quase 5 mil mortes entre mais de 10 mil infectados, principalmente na República Democrática do Congo. Segundo ele, esses casos "recordam-nos esta ameaça".

Quando os Estados-membros da OMS concluíram o acordo sobre pandemias, em maio de 2025, adiaram a negociação de uma questão delicada relativa a um mecanismo fundamental. Apesar de oito reuniões do grupo de trabalho realizadas desde julho de 2025, esse ponto ainda não foi finalizado.

O anexo relativo ao Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS), sem o qual o acordo global sobre pandemias não pode entrar em vigor, deve definir as modalidades de acesso a agentes patogénicos com potencial pandêmico, bem como a partilha dos benefícios daí decorrentes, como vacinas, testes e tratamentos. "O PABS é a última peça que falta no nosso quebra-cabeça", declarou Tedros.

O dirigente destacou ser essencial que o mundo aprenda a lição fundamental da pandemia de covid-19: "nenhum país consegue proteger-se das pandemias agindo sozinho". Ao relembrar aquele período, observou que o mundo "desenvolveu vacinas em tempo recorde, mas muitos países tiveram de esperar, enquanto outros obtiveram muito mais do que o necessário". "Esta desigualdade custou vidas, prolongou a pandemia e aumentou o risco de surgimento de novas variantes", disse.

Para Tedros, a conclusão desta última parte do tratado sobre pandemias é "a chave que abrirá as portas para um futuro mais seguro".

Com informacoes de Agência Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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