Fandoms de pop se mobilizam na reta final e viram destaque internacional na campanha de Lula

Por Leonardo Prado Ramos em Rio Verde, GO 27/10/2026 08:21
Fandoms de pop se mobilizam na reta final e viram destaque internacional na campanha de Lula

Foto: via TMDQA

Em meio ao período eleitoral brasileiro, os fandoms de música pop mostraram que sua influência vai muito além do apoio tradicional a artistas em lançamentos, turnês e disputas nas paradas. Comunidades de fãs transformaram suas redes sociais em espaços de mobilização política, usando o alcance de seus perfis para ampliar o apoio a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, e o movimento virou notícia em portais internacionais.

Segundo o The Guardian, mais de 600 grupos de fãs se uniram à campanha de Lula na reta final da disputa. A mobilização envolveu admiradores de nomes como Billie Eilish, Lady Gaga, Taylor Swift, Beyoncé, Harry Styles, Katy Perry, Selena Gomez, Demi Lovato e BTS, além de artistas brasileiros como Anitta, Marina Sena e Ludmilla. O movimento ganhou força após o resultado do primeiro turno, que deu a vitória ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e buscou alcançar principalmente jovens por meio de comunidades que já reúnem grandes audiências na internet.

A iniciativa, que deu origem ao movimento Fandoms Pelo Brasil, surgiu da percepção de que os espaços dedicados à música e à cultura pop poderiam levar o debate eleitoral a pessoas que nem sempre acompanham assuntos ligados à política.

A mobilização também chegou aos discursos públicos de Lula. Durante um comício na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente fez referência ao novo perfil de seu público ao iniciar a fala com uma provocação bem-humorada: “Não sei se devo abrir este discurso com ‘camaradas’ ou ‘fãs de todo o Brasil’”. Durante a passeata, símbolos tradicionais da esquerda dividiram espaço com camisetas e produtos de fandoms de artistas pop, mostrando como essas identidades passaram a fazer parte da mobilização eleitoral.

Para Josiane, fã de Taylor Swift ouvida pelo The Guardian, a influência dos artistas ajudou a inspirar a participação política dos jovens: “Nós nos inspiramos nesses artistas, e a Taylor sempre fala sobre como os jovens devem assumir a liderança.” Já Raissa, fã de Beyoncé, afirmou ao jornal britânico que muitas pessoas acompanham perfis de artistas e comunidades de fãs mesmo sem seguir de perto as notícias políticas, o que faz dos fandoms uma ponte para ampliar essas discussões.

Antes do segundo turno, as redes sociais eram apontadas como um dos pontos frágeis da campanha de Lula. O próprio Partido dos Trabalhadores acusou a Meta, dona do Instagram, de restringir o alcance e a repercussão de suas publicações, além da visibilidade de Lula nos motores de busca. Diante da alegação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu à Meta 24 horas para demonstrar que não estava favorecendo um candidato em detrimento de outro. A empresa negou qualquer parcialidade e afirmou que alguns anúncios da campanha de Lula foram retirados temporariamente por problemas técnicos.

O resultado dessas e de diversas outras frentes de campanha foi a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro. O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos.

Com informacoes de TMDQA.

Leonardo Prado Ramos

Sobre o Autor: Leonardo Prado Ramos

Léo Prado é o repórter de música do MOTNAF.NEWS: rap e hip-hop nacional e internacional, pop, sertanejo, funk, lançamentos de álbuns e singles, shows, turnês, charts (Billboard/Spotify) e prêmios. Vive ligado no que toca.