Nunes Marques pede à Meta relatório detalhado sobre canal "Exército do Lula"
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (22) que a Meta apresente, em até 24 horas, um relatório técnico detalhado sobre o funcionamento do canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones. A decisão atende parcialmente a um pedido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que questiona uma possível atuação coordenada nas redes sociais em benefício da campanha do presidente Lula (PT).
O ministro também determinou que Google e X, antigo Twitter, prestem esclarecimentos sobre a eventual amplificação coordenada de conteúdos e hashtags relacionados à campanha eleitoral. As empresas deverão informar, no mesmo prazo, se identificaram movimentações atípicas entre os dias 18 e 20 de outubro.
Na decisão, Nunes Marques afirmou que, no estado atual do processo, não há elementos suficientes para analisar as medidas solicitadas pela defesa de Flávio Bolsonaro, entre elas a adoção de mecanismos de supervisão direta sobre as plataformas. "De plano, verifico que no estado atual dos autos não há elementos suficientes para o exame das medidas postuladas", escreveu.
A defesa questiona a avaliação apresentada pelo WhatsApp em outro processo, segundo a qual não teriam sido identificados sinais de comportamento coordenado irregular. Para os advogados de Flávio Bolsonaro, a conclusão não esclarece quais critérios foram utilizados pela plataforma, quais atividades foram examinadas nem o período considerado na análise.
A campanha também relatou que, em 20 de outubro, o canal teria orientado seus integrantes a pesquisar no Google a expressão "Bolsonaro mandou matar Lula" e a impulsionar hashtags na rede social X. Diante dessas alegações, Nunes Marques determinou a ampliação da investigação administrativa para incluir as duas empresas. O processo tem o número 0603214-33.2026.6.00.0000.
O canal "Exército do Lula" havia sido suspenso em 11 de outubro, após determinação de Nunes Marques. Na ocasião, o ministro instaurou um regime de supervisão regulatória direta sobre o WhatsApp, requisitou informações à empresa e determinou a preservação dos registros relacionados ao canal.
O caso já estava em análise do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Horas após a suspensão determinada por Nunes Marques, o corregedor reverteu a decisão. Em 13 de outubro, novas decisões condicionaram a retomada do funcionamento à comunicação do endereço do canal à Justiça Eleitoral. No dia seguinte, Nunes Marques determinou o restabelecimento imediato do espaço, medida cumprida pela plataforma. Posteriormente, em 16 de outubro, a coligação Brasil Pronto Pra Mais foi autorizada a solicitar o cancelamento do registro do endereço do canal.
Com informacoes de Congresso em Foco.

