Nubank recua quase 9% nas ações de NY após rumor de compra bilionária do Monzo no Reino Unido
A especulação de que o Nubank estaria interessado em comprar o Monzo, um dos maiores bancos digitais do Reino Unido, voltou a colocar a rivalidade com a Revolut em destaque – não é a primeira vez que a competição entre as duas fintechs aparece nas manchetes, conforme já reportado em cobertura anterior sobre a estratégia da Revolut.
Segundo informações do Sky News, o Nubank avaliaria a compra do Monzo, que conta com cerca de 16 milhões de clientes, por um valor entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras, o que corresponde a aproximadamente R$ 55 bilhões a R$ 69 bilhões pelo câmbio vigente. A operação envolveria uma combinação de dinheiro e ações, superando em muito a última rodada de captação de 2024, quando o Monzo foi avaliado em 5,2 bilhões de libras.
Em nota oficial, o Nubank declarou que “não comenta rumores nem especulações” e reforçou que “reafirmamos nosso compromisso em manter uma comunicação transparente, clara e ágil sobre qualquer assunto relevante para os nossos negócios”.
Os investidores reagiram negativamente ao boato. As ações da empresa listada na Nasdaq caíam 8,98% por volta das 14h20 desta segunda‑feira (28), sendo cotadas a US$ 12,37. A desvalorização amplia a queda acumulada de mais de 26% nas ações do Nubank desde o início do ano.
O Monzo foi fundado em 2015 por Tom Blomfield, empreendedor britânico e um dos cofundadores da Y Combinator. No último exercício fiscal, a fintech registrou receita de 1,7 bilhão de libras, alta de 39% em relação ao ano anterior, e lucro ajustado antes de impostos de 172,6 milhões de libras, representando crescimento de 20%. Os depósitos cresceram 55%, atingindo 25,7 bilhões de libras.
Além do mercado doméstico, o Monzo já opera na Irlanda e na Espanha e tem planos de expandir para a Europa Continental, o que o torna um alvo atrativo para quem busca acesso imediato a uma base de clientes, marca reconhecida e infraestrutura bancária consolidada.
Para o Nubank, a aquisição poderia representar uma forma de entrar em um mercado desenvolvido sem precisar construir uma operação do zero, aproveitando a rede de clientes, os depósitos em libras esterlinas e a tecnologia já implantada.
Nos últimos meses, a fintech brasileira tem acelerado sua internacionalização. Ela iniciou operações nos Estados Unidos, oferecendo conta remunerada, cartões de débito e crédito, programa de cashback e transferências. Também lançou o Nu Global, conta multimoeda voltada a clientes que vivem, trabalham ou movimentam recursos entre diferentes países.
Analistas da XP Investimentos apontam que, embora a lógica estratégica de adquirir o Monzo seja clara – acesso direto ao Reino Unido, um mercado maduro e competitivo – a transação traria um nível de complexidade de execução ainda não enfrentado pelo Nubank em escala internacional. O histórico de aquisições da empresa inclui a compra da Easynvest em 2021, operação muito menor e restrita ao mercado doméstico. A XP alerta que a negociação poderia sobrecarregar a administração, dividir o foco entre várias iniciativas estratégicas e exigir aprovações regulatórias que prolongariam o fechamento do negócio.
Já o Citi vê benefícios estratégicos na eventual compra, destacando que o movimento alinharia o Nubank à sua visão de se tornar uma plataforma financeira global, diversificando sua atuação para um mercado desenvolvido e proporcionando acesso imediato a uma ampla base de depósitos em libras. Contudo, a corretora também reconhece que a internacionalização traz desafios de integração e alocação de capital.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

